Drops – Macallan Estate Reserve

Sabe o que James Bond e Harvey Specter tem em comum? Bem, além do terno? Ambos têm como whisky preferido o single malt The Macallan. No Brasil, podemos encontrar três das quatro expressões da The Macallan 1824 Series – o Amber, Sienna e Ruby, todos já revistos nestas páginas caninas. No entanto, além deles, caso você esteja de passagem em algum aeroporto brasileiro com destino para o exterior, poderá encontrar outras expressões da destilaria – Select Oak, Whisky Maker’s Edition, Estate Reserve. Estas são três dos cinco whiskies da 1824 Collection, que também conta com o The Macallan Oscuro e o raríssimo Limited Release MMXII. O Estate Reserve é a versão mais exclusiva da destilaria em nossos aeroportos. Sua composição inclui uma parcela de barricas de carvalho espanhol selecionado que antes foram usadas para envelhecer vinho Jerez – muitas delas, usadas pela primeira vez para whisky. A graduação alcoólica é sensivelmente mais alta do que a tradicional: 45,7%. Além disso, ele não é filtrado a frio, tornando-o bastante oleoso, marca registrada da destilaria. The Macallan é – com razão – um dos single malts mais respeitados do mundo. O cuidado com os detalhes em todo o processo produtivo chega a […]

Drops – Glenfiddich 125 Anniversary Edition

Quer saber como era o sabor dos whiskies há mais de 125 anos, na época em que grande parte das destilarias da Escócia foram fundadas? Então conheça o Glenfiddich 125 Anniversary Edition. Lançado como uma edição limitada para comemorar os cento e vinte e cinco anos de fundação da destilaria, o Glenfiddich 125 foi elaborado por Brian Kinsman – seu malt master – utilzando os mesmos métodos utilizados no século de sua inauguração. Como já explicado por aqui, no século dezoito, era muito comum que a cevada maltada fosse secada em uma fogueira de turfa (peat). Isso dava ao whisky um aroma turfado, de bacon, bastante característico. Este processo é até hoje reproduzido por muitas destilarias, principalmente aquelas localizadas em Islay, mesmo que poucas delas ainda produzam seu próprio malte. O Glenfiddich 125 é, na verdade, uma combinação de barricas de dievrsas idades, de Glenfiddichs defumados e não defumados, proporcionando complexidade e profundidade. A garrafa vem em um estojo de metal, com uma rolha especial de cobre e um certificado de autenticidade. Há também um pequeno livreto, que você pode usar para se distrair enquanto toma uma dose desta maravilha. O Glenfiddich 125 Anniversary Edition podia ser encontrado, até ano […]

Drops – Macallan Rare Cask

Juvenal – o poeta grego, não o jogador de futebol – escreveu em suas sátiras que “Rara é a união entre o puro e o belo“. Provavelmente Juvenal se referia a algum conceito misógino, ou à pureza inalcançável do homem, corrompido por um mundo impuro. Não sei. Mas se não fosse um hiato temporal de alguns milênios, eu poderia apostar que Juvenal escrevera a frase na presença de uma garrafa do Macallan Rare Cask. O Rare Cask é a quase perfeita fusão entre beleza, pureza e – como o próprio nome indica – a raridade. Nas palavras da The Macallan”muito menos do que 1% das barricas maturando na destilaria foram identificadas como capazes de receber o nome Rare Cask. Com raridade como sua essencia, este é um whisky produzido de barricas tão raras que jamais serão usadas para outro whisky da The Macallan. A combinação de barricas de carvalho americano e espanhol de ex-jerez, sendo grande parte delas de primeiro uso, dão origem a um whisky com coloração esplêndida e incontestavelmente amadeirado (…)” De acordo com a destilaria, o Rare Cask é a combinação dos whiskies maturados em algumas das melhores barricas de The Macallan. E tudo bem que “muito menos de 1%” pode ser qualquer […]

Drops – Aberlour A’Bunadh

Aí vai um whisky para quem gosta de emoções fortes. Este é o Aberlour A’Bunadh. Ele é produzido em pequenos lotes anuais, não sofre qualquer diluição e não passa por filtragem a frio.A maturação ocorre exclusivamente em barricas de carvalho europeu que antes continham vinho jerez. Isso o torna um whisky extremamente oleoso, de sabor frutado e especiarias. Como ele não é diluído (Cask Strength), a graduação alcoólica varia de lote para lote. Varia, aliás, de altíssima para absurda. A garrafa deitada na foto é de lote 50, com 59,6% de álcool. Já a garrafa em pé tem uma história interessante. Seu nome é A’Bunadh Sterling Silver Label. É uma edição especial, lançada em 1999, limitada a apenas 2.000 garrafas. O nome faz alusão a seu rótulo, que é feito de prata de lei. O A’Bunadh Sterling Silver é o único da série que possui idade estampada no rótulo – 12 anos. Sua graduação alcoolica é de 58,7% A Aberlour é uma conhecida destilaria da região de Speyside. A’Bunadh é uma de suas expressões mais famosas, juntamente com seu 15 e 18 anos. Atualmente, a destilaria pertence à Pernod Ricard, o mesmo grupo que detém o controle da marca Chivas […]

Macallan Amber e os bastidores de The Macallan

Algumas semanas são mais importantes do que outras. A última, por exemplo, foi coroada pela realização de dois eventos importantíssimos. O primeiro deles foi o Oscar 2016. Uma festa eivada de polêmica, mas cujo clímax foi uma premiação que deveria ter sido realizada há muito tempo. O Oscar para o Leonardo DiCaprio. Existem certezas mais absolutas que outras. Mas no rol de certezas absolutamente absolutas, esta é provavelmente uma das maiores. O Leonardo DiCaprio merecia receber um Oscar. DiCaprio é um caso interessante. Começou como um ídolo adolescente, mas galgou uma impressionante carreira como ator, tendo participado de produções sobre a batuta de alguns dos mais importantes diretores da atualidade, como Woody Allen, Clint Eastwood e Martin Scorcese. Ele já foi agente secreto, falsário, milionário decadente e, por três vezes, expoente da sociedade e cultura americana. Sua indicação ao Oscar deste ano me obrigou a revisitar sua lista de filmes. E ainda que eu não escolha minhas películas com base nas estrelas masculinas, fiz uma constatação interessante. Eu provavelmente já vi todos os filmes do Leonardo DiCaprio depois de Titanic. E isso é engraçado, porque a participação de Leonardo DiCaprio no elenco nunca foi um fator determinante para eu escolher […]

Sobre a Força – Glenlivet Founder’s Reserve

Este não é um post sobre whisky. Me desculpem pela decepção. Este é um post sobre um modesto filme que transformou a internet em uma convulsão maníaca. Este é mais um post sobre Star Wars. Mas pode continuar lendo. Eu prometo que não contarei nenhum spoiler para estragar sua experiência. Ou talvez um só. Nada grave. Prometo que valerá a pena. Quando soube que J. J. Abrams dirigiria um novo filme da saga, fiquei apreensivo. Apreensão que só aumentou quando descobri que alguns personagens dos episódios IV, V e VI apareceriam. É que eu realmente gostava dos três primeiros filmes, e não queria ninguém estragando a imagem de Han Solo, Leia e mesmo Luke para as gerações vindouras. Mas assim que me sentei na cadeira de cinema, percebi que meus medos eram completamente infundados. O Despertar da Força é um caso raro de sucesso absoluto. Os números estão aí para comprovar. Ele arrecadou, só nas primeiras semanas, um bilhão de dólares. Foi a abertura de maior sucesso da história do cinema. Na modesta opinião deste ébrio Canídeo, o sucesso reside no equilíbrio. Mas não no equilíbrio da Força. No equilíbrio irretocável entre os elementos clássicos da saga e a inovação […]

Clássico Moderno – Glenlivet 18 anos

Sabe qual o maior problema dos remakes? É que raramente são melhores que os originais. Um claro exemplo disso é o filme Cidade dos Anjos. Caso você não saiba, Cidade dos Anjos é baseado em um filme europeu chamado Asas do Desejo, dirigido por Wim Wenders. Asas do Desejo esteve, por muito tempo, no meu top dez filmes preferidos de todos os tempos. Já Cidade dos Anjos, bem, esse passou longe. O argumento dos dois filmes é praticamente o mesmo. Um anjo que decide abrir mão da existência eterna para tornar-se humano. Em Asas do Desejo, sua motivação é compreender o significado da vida e experimentar e o prazer – e o sofrimento – de ter carne e osso. Essa experiência é personificada em uma bela trapezista de circo, pela qual o anjo se apaixona. O filme é de um existencialismo extremamente sutil, todo em preto e branco, e conta com as antológicas atuações de Bruno Ganz e Solveig Dommartin. Já Cidade dos Anjos é um pouco diferente. Em Cidade dos Anjos, um querubim estrelado por Nicholas Cage desenvolve uma paixão platônica pela Meg Ryan, que é uma médica. Ele não dá a mínima para o significado da vida ou […]

Tabula Rasa – Glenfiddich 18 anos

  Algumas pessoas têm manias estranhas. Quando era criança, tinha um coleguinha que gostava de morder gente. Ele tentava morder todo mundo, sem qualquer distinção de idade ou sexo. E de forma completamente gratuita. Como eu sabia de seu hábito, mantinha uma distância segura. Muito tempo depois, descobri que essa é uma compulsão mais ou menos comum, e que pode continuar durante a vida adulta. Chama-se Dacnomania. Nunca pude perguntar a ele como esse curioso hábito começara. Na verdade, nunca me permiti esta oportunidade – ter um bife arrancado do meu braço não estava nos meus planos. Talvez minha curiosidade mórbida frente um dacnomaníaco fosse menor do que meu instinto de autopreservação. Outra mania bem esquisita que vi – dessa vez em um programa de televisão – era de comer tijolos. Era uma moça, lá pelos seus trinta anos de idade. Seu pitoresco costume consistia em arrancar pequenos pedacinhos de parede, roer e depois engolir. Quando questionada, a moça disse que, quando criança, foi induzida por sua avó a tornar-se a primeira sommelier de paredes do mundo. Sua avó lhe contara que seu pai comia papel de parede e argamassa quando infante. Fascinada pela história, a menina resolveu provar por […]

Macallan Sienna e um Novo Dia para Beber

A ficção está cheia de ébrios. Bons exemplos são Jack Torrence, de O Iluminado, e “O Cara”, interpretado por Jeff Bridges em O Grande Lebowski. Para você ter uma ideia, O Cara, durante os cento e dezessete minutos do filme, toma nove White Russians. Isso equivale a um coquetel a cada treze minutos de filme. Mas o mais célebre atleta ficcional do álcool é, indiscutivelmente, James Bond. O espião bebe mais do que um Escort XR3. Um estudo envolvendo médicos da Universidade de Nottingham mostrou que Bond, no decurso de suas histórias, tomou o equivalente a mil cento e cinquenta doses de álcool, em apenas oitenta e oito dias. Isso equivale a uma garrafa e meia de vinho, ou cinco martinis de vodka, todo dia. Mas James Bond não apenas bebe como se vivesse apenas duas vezes. Ele é uma biblioteca etílica. Prova disso é o diálogo que trava com M e o Sr. Donald Munger, ao tomar um cálice de Jerez pertencente àquele último, em Diamantes são Eternos. Bond diz “temo pelo seu fígado, meu senhor. Este é um Solera excepcional. Safra de 1951, acredito”. M, então, retruca “não há safra para Jerez, 007”, ao que Bond responde “Me […]

Sobre a Criatividade – Glenfarclas 12 Anos

Esses dias me perguntaram qual era meu livro preferido. Fiquei bastante tempo pensando. Um livro só? Não dá para fazer ao menos um top five? Gosto de quase tudo de Dostoievski. Gosto também de Camus, especialmente A Queda, e para os dias de mais testosterona, Hemingway. Vivo, Ian McEwan é excelente, principalmente Serena. Mas uma obra só? Aí acho que terei que escolher Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marquez. Para quem nunca leu, o livro trata da trajetória secular de uma família – os Buendía – e do vilarejo por eles fundado, Macondo. Na verdade, a história pode ser interpretada como uma alegoria, em um mundo de realismo fantástico, para a América Latina. Macondo passa, ao longo de sete gerações de Buendías, por quase tudo que passou a América Latina, desde a chegada dos espanhóis. O único problema do livro é entender quem é quem. São mais de cinquenta personagens só da família. Isso faz com que muitos leitores tracem uma arvore genealógica dos Buendía, para auxiliar na leitura. Mas nem assim é fácil. Por dois motivos. Primeiro porque os Buendía não eram lá muito ligados nesse negócio de moralismo, então não adianta você tentar entender quem é […]