Drops – Macallan Rare Cask

Juvenal – o poeta grego, não o jogador de futebol – escreveu em suas sátiras que “Rara é a união entre o puro e o belo“. Provavelmente Juvenal se referia a algum conceito misógino, ou à pureza inalcançável do homem, corrompido por um mundo impuro. Não sei. Mas se não fosse um hiato temporal de alguns milênios, eu poderia apostar que Juvenal escrevera a frase na presença de uma garrafa do Macallan Rare Cask. O Rare Cask é a quase perfeita fusão entre beleza, pureza e – como o próprio nome indica – a raridade. Nas palavras da The Macallan”muito menos do que 1% das barricas maturando na destilaria foram identificadas como capazes de receber o nome Rare Cask. Com raridade como sua essencia, este é um whisky produzido de barricas tão raras que jamais serão usadas para outro whisky da The Macallan. A combinação de barricas de carvalho americano e espanhol de ex-jerez, sendo grande parte delas de primeiro uso, dão origem a um whisky com coloração esplêndida e incontestavelmente amadeirado (…)” De acordo com a destilaria, o Rare Cask é a combinação dos whiskies maturados em algumas das melhores barricas de The Macallan. E tudo bem que “muito menos de 1%” pode ser qualquer […]

Seis Whiskies Para se Tomar com Gelo (e sem culpa)

Ontem, quando cheguei do escritório, a Cã perguntou se – ao invés de jantarmos fora – eu não queria pedir comida. Eu disse que sim, claro, afinal, estava cansado. E indaguei a ela o que queria. Pizza? Não, pizza não quero, estou gorda. Japonês? Não, quero algo quente. Uma massa? Não. Árabe então? Não, árabe não também. Hambúrger foi a derradeira opção, igualmente recusada. Mas afinal, amada Cã, o que você quer pedir? Ah, não sei, o que você quiser está bom para mim. Na verdade, eu queria qualquer coisa. Só não queria pensar muito. Tenho dias assim. Esse era um deles. No trabalho, me disseram para ouvir Penderecki enquanto traduzia um contrato de M&A, porque música clássica auxiliava na concentração. Mas o máximo que queria ouvir era Rolling Stones. Durante o almoço, recomendaram que pedisse o polvo. Mas eu queria mesmo era um belo mexidão. Me disseram para ver um filme do Godard. Mas meu desejo mesmo era ver um J. J. Abrams. Por fim, falaram que eu deveria ler Dostoievski. Aí concordei, afinal, a vida é muito curta para desperdiçá-la com literatura ruim. Mas hoje não, hoje eu não leria nada. Aliás, cinema, literatura e whisky tem muita […]

Macallan Amber e os bastidores de The Macallan

Algumas semanas são mais importantes do que outras. A última, por exemplo, foi coroada pela realização de dois eventos importantíssimos. O primeiro deles foi o Oscar 2016. Uma festa eivada de polêmica, mas cujo clímax foi uma premiação que deveria ter sido realizada há muito tempo. O Oscar para o Leonardo DiCaprio. Existem certezas mais absolutas que outras. Mas no rol de certezas absolutamente absolutas, esta é provavelmente uma das maiores. O Leonardo DiCaprio merecia receber um Oscar. DiCaprio é um caso interessante. Começou como um ídolo adolescente, mas galgou uma impressionante carreira como ator, tendo participado de produções sobre a batuta de alguns dos mais importantes diretores da atualidade, como Woody Allen, Clint Eastwood e Martin Scorcese. Ele já foi agente secreto, falsário, milionário decadente e, por três vezes, expoente da sociedade e cultura americana. Sua indicação ao Oscar deste ano me obrigou a revisitar sua lista de filmes. E ainda que eu não escolha minhas películas com base nas estrelas masculinas, fiz uma constatação interessante. Eu provavelmente já vi todos os filmes do Leonardo DiCaprio depois de Titanic. E isso é engraçado, porque a participação de Leonardo DiCaprio no elenco nunca foi um fator determinante para eu escolher […]

Seis Personagens (fictícios) Que Amam Whisky

  Se você acompanha o Cão Engarrafado há algum tempo, provavelmente já sabe que um dos meus maiores interesses – além de whisky, claro – é cinema. Um bom filme funciona quase tão bem quanto uma dose de algum bom whisky. Nos relaxa, diverte, deixa tudo um pouco mais interessante e nos faz funcionar numa rotação diferente. Cinema é whisky filmado. Ou, se preferir, whisky é cinema líquido. Só que eu tenho um habito meio obsessivo. Eu tenho mania de tentar identificar todos os rótulos dos whiskies que aparecem nos filmes. Na verdade, não só em filmes. Em quase tudo que assisto. Séries de televisão, documentários do Animal Planet (não aparecem muitos whiskies por lá, infelizmente) e até programas culinários. Essa semana, enquanto revia, pela décima vez, James Bond entornar um Macallan em Skyfall, tive a ideia de criar um post que, na verdade, é mais um exercício mental. Tentar lembrar dos mais icônicos personagens que – assim como eu – são apaixonados pela melhor coisa que existe em estado líquido. Whisky. Então, meus caros, preparem suas pipocas de microondas e ajeitem-se confortavelmente no sofá. Vamos relembrar os mais incríveis ébrios fictícios da sétima arte. JAMES BOND Não dá para começar […]

Especial de Final de Ano – Whisky e Réveillon

“O passado não importa muito. O que importa são seus planos para o futuro. Anime-se com seus planos para o futuro”. Quando ouvi essa frase de um conhecido há uma dezena de réveillons passados, logo me animei. Me animei, porque tudo que havia planejado para meu futuro era terminar aquela taça de prosecco. E, ao termina-la, me encostar novamente no balcão do bar para pedir a próxima. Afinal, é ano novo. Eu posso. O ano novo é uma festa interessante. Aliás, é minha data comemorativa coletiva preferida. Não é muito difícil, já que eu odeio natal, não suporto a monomania do carnaval e não ligo muito para a páscoa. Mas a verdade é que o réveillon traz um temporário otimismo ingênuo até mesmo para as pessoas mais taciturnas. Com o tempo, aprendi que não adianta muito fazer planos para o ano vindouro. Nem ouvir conselhos. Porque não importa qual foi sua promessa ou a recomendação. Ano que vêm, você provavelmente estará pesando a mesma coisa que está agora. E continuará trabalhando com o mesmo empenho e visitando a academia com a mesma frequência. Você, inclusive, estará bebendo a mesma quantidade que bebe o ano inteiro. Quer dizer, com exceção da […]

Especial de Natal – Um Manual de Como Presentear com Whisky

Escolher presentes de natal nunca é fácil. Nem mesmo para a pessoa com que você mais tem intimidade no mundo. No meu caso, a Cã Engarrafada. Neste caso, o risco é errar. Não há espaço para errar com alguém que você conhece tão bem. Mas como já estamos casados a pouco mais de meio decênio, tendo galgado o dobro disso de namoro, recorri a uma praticidade arriscada. Perguntei a ela o que queria receber de presente. E não me condene por ter sido direto. Porque realmente é romântico captar sinais e ir sorrateiramente reunindo informações e analisando reações para tentar descobrir o que sua melhor parte deseja. Mas isso também é trabalhoso e – caso sua inteligência emocional seja equivalente a de um crustáceo, como a minha – pode dar terrivelmente errado. Após uns três segundos de uma ensaiada cara de dúvida, a Cã respondeu que queria uma bolsa, e que me daria um single malt. Uma bolsa, tudo bem, pensei. Qual a dificuldade em escolher uma bolsa? Bem menor do que a dela, ao escolher o whisky. Minha ida ao shopping revelou que a tarefa era consideravelmente mais difícil do que eu havia previsto. Principalmente quando não há o […]

Insanidade Coletiva – Maker’s Mark

Loucura é um tema recorrente aqui no Cão. Hoje, vou novamente falar de loucura. Mas de loucura coletiva. Daquelas vezes que todo mundo enlouquece, e você não entende bem a razão. Porque, afinal, na sua cabeça, aquele é um motivo banal, que não deveria tirar ninguém do eixo. Ou não. Para ilustrar meu ponto, vou falar sobre o McRib. Ele já foi vendido no McDonald’s aqui no Brasil, mas, caso você não tenha tido a oportunidade de degustar esta revolução da baixa gastronomia, elucidarei do que se trata. O McRib consistia em um pão tipo baguete, recheado de cebola, picles, e um paralelepípedo feito de uma substância que se assemelhava a carne suína. Segundo a lanchonete, o sanduíche era produzido com as costelas do porco. Para finalizar, algo parecido com molho de churrasco era utilizado para dar liga à iguaria. Acontece que o McRib fora criado na década de oitenta, quando as pessoas achavam normais coisas como um chocolate voltado ao público infantil em forma de cigarro e não tinham a mais rasa ideia do que era colesterol. Mas com a redescoberta do bom senso nos anos noventa, as vendas do McRib foram diminuindo, e culminaram em sua extinção em […]

O Cão Econômico 3/3 – Famous Grouse Finest

Este é o último post de uma série de três provas sobre whiskies abaixo de R$ 100,00(*). Os outros foram Glen Grant e Teacher’s Highland Cream. Além dele, o Cão já visitou outros três whiskies nessa faixa de preço. Foram White Horse, Johnnie Walker Red Label e Suntory Kakubin. A criatividade do homem é infinita. Ela se manifesta em tudo produzido por nossa mente, seja tangível ou intangível. Das pinturas rupestres a Duchamp, das primeiras tendas aos arranha-céus de Dubai, estamos imersos em um oceano de criatividade. E isso não é novidade para ninguém. Mas há um ramo da inventividade humana que sempre me surpreende. Um ramo em que o homem realmente emprega todo seu potencial. O de nomear produtos. Dê uma olhada nas gôndolas de supermercados. Há uma miríade deles. Cachaças João Andante, torradas Peter Pão, croissants Croasonho, carnes Boi Vivant, tapete higiênico para cachorros Super SeCão. E meu preferido, talvez pelo mau gosto aliado à sutileza de uma britadeira: papeis higiênicos Pacu. Além do nome, há a embalagem. A embalagem é quase um convite para adquirir aquilo que ela carrega. Na época daquela promoção da Coca-Cola, sempre procurava meu nome nas latas. Se encontrasse, não titubearia em levar para casa. Mas […]

O Cão Didático – Um Micro-Manual para Entender o Rótulo de um Whisky

Este texto foi originalmente elaborado para nossos amigos da charutando.com.br, portal dedicado à cultura do charuto no Brasil. Mas por sua relevância, resolvi também que faria constar deste blog. Porque, afinal, não é sempre que whiskies e utilidade pública se reúnem. Pode ser óbvio o que vou falar,  mas adoro combinar puros e whiskies.  Por isso, inclusive, que aceitei com orgulho fazer parte do grupo de colunistas da Charutando. Aliás, tenho uma poltrona na varanda de meu apartamento, estrategicamente posicionada ao lado de uma mesa baixa, exatamente para que possa me dedicar a esta saudável e extenuante atividade. A de fumar um bom habano, acompanhado, quase sempre, de algum single malt e de boa literatura. E ainda que este programa já seja, em si, excelente, sempre sentia que faltava algo. Havia lá um metafórico espaço vazio a ser preenchido, para que aquela sensação quase kitsch de conforto efetivamente decantasse. Não sabia bem o que era. Até que um dia, sendo forçado a escutar a seleção da Valeska Popozuda que meu vizinho insistia em ouvir no volume mais alto, finalmente entendi o que precisava. Música boa. Encomendei, então, um bom fone de ouvido. Aliás, um excelente fone de ouvido, capaz de […]

Macallan Sienna e um Novo Dia para Beber

A ficção está cheia de ébrios. Bons exemplos são Jack Torrence, de O Iluminado, e “O Cara”, interpretado por Jeff Bridges em O Grande Lebowski. Para você ter uma ideia, O Cara, durante os cento e dezessete minutos do filme, toma nove White Russians. Isso equivale a um coquetel a cada treze minutos de filme. Mas o mais célebre atleta ficcional do álcool é, indiscutivelmente, James Bond. O espião bebe mais do que um Escort XR3. Um estudo envolvendo médicos da Universidade de Nottingham mostrou que Bond, no decurso de suas histórias, tomou o equivalente a mil cento e cinquenta doses de álcool, em apenas oitenta e oito dias. Isso equivale a uma garrafa e meia de vinho, ou cinco martinis de vodka, todo dia. Mas James Bond não apenas bebe como se vivesse apenas duas vezes. Ele é uma biblioteca etílica. Prova disso é o diálogo que trava com M e o Sr. Donald Munger, ao tomar um cálice de Jerez pertencente àquele último, em Diamantes são Eternos. Bond diz “temo pelo seu fígado, meu senhor. Este é um Solera excepcional. Safra de 1951, acredito”. M, então, retruca “não há safra para Jerez, 007”, ao que Bond responde “Me […]