Meu pai uma vez me disse “o espírito pode ser aventureiro, mas o intestino é sempre gregário.” Fora de contexto, tinha apenas uma rasa ideia do que ele queria dizer. Mas, depois de um voo de dez horas para os Estados Unidos, nada confortavelmente encaixado no assento do meio da fileira do meio, pude contemplar, com toda plenitude, a sabedoria emanada por meu progenitor.
Escolher seu assento com base em seu acesso ao banheiro de uma aeronave é quase um teste de personalidade. Há dois tipos de pessoas. Aquelas desinibidas, que se sentam no meio e que não ligam de pedir licença às sonolentas para se aliviar. E aquelas que preferem as pontas e o acesso livre aos lavatórios – e que não tem qualquer apego às suas rótulas ou horas de sono.
Na verdade, há outro tipo. Eu. Que mal consegue dormir e que é tímido demais para acordar alguém somente para atender àquele proverbial chamado da natureza. Prefiro aguentar sentado, com sono e apertado, do que percorrer todo o processo até chegar ao banheiro do avião somente para descobrir que meus confrades viajantes não tem muitos hábitos higiênicos.
Inveja da coragem dessas pessoas (fonte: passangershaming.com)
Assim, sempre que chego ao meu destino, seja ele qual for, me vejo em um enorme dilema. Ir ao banheiro ou ao Duty Free. É uma batalha acirrada, entre a natureza e o entusiasmo. Afinal, o Duty Free possui whiskies exclusivos, muitas vezes raros e excelentes. E escolher entre eles leva tempo – tempo este difícil de negociar com meu sistema digestivo.
Então, pensando no bem estar intestinal de todos aqueles meus leitores que passam o mesmo perrengue que eu, preparei uma lista. Uma lista com as melhores compras de Duty-Free desta temporada. Assim, você economizará preciosos momentos que poderão ser usados para fazer coisa melhor.
Sinto-me na obrigação, entretanto, de fazer uma ressalva. Os whiskies aqui apresentados exigiram alguma dedicação para que fossem reunidos e provados. O duty-free brasileiro não cooperou: apesar de apresentar disponibilidade de certos rótulos no site, a informação não condizia com a realidade. Foi preciso recorrer a familiares e amigos, que viajaram em diferentes datas, e um certo grau de sorte, para consegui-los(em Guarulhos, o Terminal 3 possuía apenas o Chita e Glenlivet. Na outra, apenas o The Macallan. O Terminal 2 carregava o Port Charlotte e o Chivas.)
CHIVAS REGAL 18 ANOS FRENCH OAK FINISH
O que pode ser melhor do que um dos melhores blended whiskies ultra-premium do mercado? Bem, o mesmo blend, mas com graduação alcoólica superior (48%), e finalização em barricas de carvalho europeu. É justamente isto que o Chivas 18 French Oak Finish é.
De acordo com a marca “(…) é um blend único, variação do iconico Chivas 18 anos, com suas 85 notas sensoriais diferentes, que é caraterizado por uma finalização muito especial em barris de carvalho francês de primeiro uso.
Ele traz singularidade de barricas produzidas a mão por um time de tanoeiros experientes. Estes barris usam carvalho francês de mais de 150 anos de idade, da região de Limousin, usados para maturar destilados da mais alta qualidade. O time de blenders da Chivas Regal selecionou cuidadosamente somente os melhores destas barricas para finalizar o Chivas Regal 18 anos, e revelar algumas de suas melhores notas características.”
O preço desta perfeição melhorada? US$ 122,00 (cento e vinte e dois dólares).
THE GLENLIVET MASTER DISTILLER’S RESERVE SMALL BATCH
O Glenlivet Master Distiller’s Reserve Small Batch é o mais sofisticado dos maltes da linha Master Distiller’s Reserve da The Glenlivet, vendida exlcusivamente no travel retail. Além dele, há a versão de entrada, o Master Distiller’s Reserve original, e uma versão intermediária, que parte da maturação ocorre numa solera vat – um enorme tanque de madeira, que nunca é totalmente esvaziado.
A maturação do Glenlivet Master Distiller’s Reserve Small Batch acontece em barricas de carvalho americano de ex-bourbon, carvalho europeu de ex-jerez e – pausa dramática para algo bem inusual – barricas de carvalho virgens. O tipo de carvalho destas últimas não é divulgado, porém, este Cão suspeita que seja europeu. É um single malt sofisticado, mas ao mesmo tempo sensorialmente acessível e adaptável para qualquer situação. E um belíssimo presente – por US$ 150,00 (cento e cinquenta dólares) – se encontrar.
MACALLAN CONCEPT ART 1
Não fosse o whisky tão bom e a embalagem tão bonita, poderia, talvez, dizer que este lançamento da The Macallan está no limite da pretensão.
O Macallan Concept é o primeiro de uma série de whiskies que “combinam a paixão por produzir whisky com a paixão dos visionários – indivíduos confiantes, sofisticados que desafiaram o status quo com perspectivas e ideias inovadoras.” De acordo com a destilaria, o whisky foi inspirado no surrealismo visto por meio das lentes dos seis pilares da The Macallan. O resultado seria um produto que “vai além das fronteiras tradicionais dos processos de seleção de barricas“
Surreal, na opinião deste canídeo, é esse papo da The Macallan. Mesmo porque o Concept é maturado em barris de primeiro uso de carvalho europeu de ex-jerez e carvalho americano de ex-bourbon, algo bem comum no mundo dos maltes. Na verdade, ele passou do limite da pretensão. Mas a gente perdoa, porque, como eu disse, o whisky é bom demais, e a garrafa é linda, então até a gente se sente um pouquinho pretensioso bebendo ele. Um brinde!
O preço da obra de arte líquida é US$ 110,00 (cento e dez dólares)
PORT CHARLOTTE CC:01
Defumado, cask strength com 57,8% de graduação alcoolica, finalizado em barris de conhaque. Precisa falar mais alguma coisa? Bem, a Bruichaddich, que produz o whisky, acha que sim.
“Como com todo Port Charlotte, o ponto de partida é um destilado elegante e intrigante. Cevada de procedência excepcional, defumada e fortemente turfada é combinada com nossa destilação vagarosa, gota-a-gota, entregando força com elegância. Aqui, este fascinante destilado foi maturado inteiramente em barricas do melhor carvalho francês (quercus robur). Estas barricas previamente continham algumas das melhores Eau de Vie da região oeste de de Cognac.“
Obrigado, Bruichladdich, mas eu já estava convencido no primeiro parágrafo. O preço, entretanto, é tão salgado e enfumaçado quanto o whisky US$ 161,00 (cento e sessenta e um dólares)
SUNTORY THE CHITA
Este é um whisky duplamente interessante. Primeiro, por ser japonês. Pela simples razão de sua nacionalidade, o Chita, produzido pela Suntory, já merece atenção. Afinal, nos últimos anos, uma horda ensandecida de entusiastas sublimou os whiskies japoneses das prateleiras das lojas. Além disso, o The Chita é um single grain whisky – algo bem incomum mesmo para padrões escoceses.
De acordo com a marca “(…) a destilaria Chita está situada no litoral calmo e enevoado da peninsula de Chita. Por meio de um processo raro de destilação contínua utilizando dois, tres ou quatro colunas, a destilaria utiliza principalmente milho para produzir três tipos diferentes de grain whisky – delicado, médio e pesado“
O preço é tão amigável quanto o whisky – aproximadamente US$ 60,00 (sessenta dólares), sujeito a disponibilidade.
O mundo do whisky é bem pretensioso. Afinal, há poucas coisas mais pedantes do que dizer que certo líquido possui aromas que evocam memórias bucólicas de campos salpicados de urze. Mas há algo que consegue ultrapassar facilmente a prepotência do whisky. As artes plásticas. Especialmente a arte moderna e contemporânea.
É natural, na verdade. A maior parte da arte não é verbal – exceto por alguma videoarte, da qual nutro uma relação que pendula entre o desprezo e a ignorância. E, por conta disto, traduzir o significado de um signo não-verbal para o mundo enunciado, muitas vezes, é um exercício extenuante. Extenuante e presunçoso. De todos os lados. Dizer que entende o conflito psicológico de Pollock ao contemplar sua obra é tão pretensioso quanto dizer que seu filho faria um quadro igual. Não há rota de emergência – a arte é pretensiosa.
E nessa pedante escala de pretensão – talvez em um dos mais pretensiosos posts deste soberbo blog – há um Megazord da afetação – um whisky que se inspira no mundo da arte. O Macallan Concept No. 1 – Art. Se você não acredita em mim, deixe-me traduzir, com frugalidade, o que está transcrito no verso do estojo que acompanha a garrafa.
Pois é, Danny
“O primeiro da série, o Macallan Concept No. 1 foi inspirado no mundo da arte surrealista. Imaginado através das lentes dos Seis Pilares da The Macallan, nossa interpretação do surreal junta a imaginação e o idealismo para criar um mundo de whisky fantástico, sensorial, onde qualquer e tudo é possível. O The Macallan Concept No. 1 é um manifesto de nossa continua busca por excelência – uma que atravessa as barreiras tradicionais de produção e seleção de barricas para maturação“
E continua “criado a partir de whiskies maturados primeiro em barricas de ex-jerez e, depois, por tempo igual, em barris de ex-bourbon, o Concept No.1 é um whisky criado para a explorar a maturação de forma mais imginativa. Trazendo características notas de frutas cítricas e gengibre, é um destilado que combina uma paixão inabalável pelo whisky com uma maestria infalível, incentivada por escolhas sofisticadas e destmidas ”
Surreal, na opinião deste canídeo, é esse papo da The Macallan. Porque, afinal, não há nada de muito inovador no processo de maturação do Concept No. 1. Ela acontece em barris de primeiro uso de carvalho europeu de ex-jerez e carvalho americano de ex-bourbon, algo bem tradicional no mundo dos maltes. As diferenças – conjunturais, na opinião deste cão – é a inversão da ordem (normalmente, a maturação em ex-bourbon ocorre antes) e o emprego de uma técnica que poderia ser considerada uma finalização pela The Macallan, talvez pela primeira vez.
Eu desisto.
Mas há algo a ser considerado. É que apesar de toda pretensão – e como acontece com muitas obras de arte – o The Macallan Concept No. 1 é bem bom. É um whisky equilibrado e oleoso, que traz o dulçor e caramelo do bourbon bem balanceados com o vínico apimentado do carvalho europeu de ex-jerez. Há, talvez, uma certa juventude lá. Mas ela está bem escondida – quase um quadro sobre um quadro.
E, por conta disso, por ser tão bom, a gente nem acha o The Macallan Concept No. 1 tão pretensioso assim. Sua garrafa e estojo – de um verde piscina bem bonito – contribuem para essa impressão. No final das contas, o Macallan Concept No. 1 é como certa obra de um grande artista. Até pode ter ultrapassado o limite da pretensão. Mas é tão bom, mas tão bom, que a gente até se sente um pouquinho pretensioso bebendo ele.
THE MACALLAN CONCEPT NO. 1
Tipo: Single Malt sem idade definida
Destilaria: Macallan
Região: Speyside
ABV: 40%
Notas de prova:
Aroma: caramelo, baunilha. Há um claro aroma vínico, que lembra vinho fortificado. Equilibrado e agradável
Sabor: Caramelo, baunilha e mel, que, aos poucos, revela especiarias, pimenta do reino e taninos. Finalização longa e vínica.
Clichê. Um vício de linguagem. Uma expressão que, de tão usada, se esvaziou. Tornou-se comum, corriqueira, banal. Normalmente, fujo dela como o diabo foge da cruz ao escrever as matérias deste blog. Mas, dessa vez, vou deixar a caneta correr solta.
É que Woody Allen disse que, às vezes, a melhor forma de explicar algo é por meio de um cliché. E é justamente isso que farei hoje. Porque tem muita água que passarinho não bebe bem cliché por aí. Esses, ordinários mesmo, com aquele sabor meio genérico. Caramelo, baunilha, malte.
Agora, quase tão difícil quanto desviar do lugar comum, é chutar o balde e abraçá-lo. Mas agarrar com unhas e dentes, matar a cobra e mostrar o pau – claro, o mesmo usado para tirar a vida do proverbial réptil, e não outra coisa que você pode ter pensado. Enfim, fazer nas coxas é fácil. Difícil é fazer bem feito, e de olhos fechados.
E é justamente isso que o Arran Lochranza Reserve, expressão que acaba de desembarcar no Brasil é. Um cliché. Mas um cliché extremamente bem feito. Desses, que dá vontade de entornar o caneco. Seja para beber andando nas nuvens, ou com atenção, é um whisky simples, mas simplesmente excelente.
Seu nome é uma homenagem à vila localizada na ilha de Arran, que possui a impressionante população de, aproximadamente, duzentas pessoas. Como você pode ter previsto, é lá que se localiza a destilaria que produz o single malt tema desta prova. No vilarejo há também um conhecido castelo do século dezesseis – homônimo da vila.
Lochranza Castle (fonte: aboutbritain.com)
O Arran Lochranza Reserve anos é a expressão de entrada da Arran, uma das mais jovens destilarias da Escócia – fundada em 1993 e com produção iniciada em 1995. Apesar da pouca idade, porém, ela descascou o abacaxi, e hoje possui um portfólio bastante extenso de whiskies. Há expressões com perfis de sabor bem diferentes. Do defumado Machrie Moor ao vínico Arran 18, passando pelo insano cask strength The Bothy, a Arran provou que sabe fazer whisky com uma mão nas costas – uma verdadeira destilaria polivalente.
Em relação à maturação, a Arran não comeu cru nem quente. O Arran Lochranza Reserve envelhece predominantemente em barricas de carvalho americano que antes contiveram bourbon whiskey. Depois, é brevemente finalizado em barricas de carvalho europeu de ex-jerez. Isso lhe traz um sabor frutado, com caramelo e baunilha, que combina perfeitamente com o caráter maltado de seu new-make spirit. E apesar da pouca idade, o whisky tem o álcool muito bem resolvido, com a madeira relativamente presente.
Barris na Arran
E se você é daquele tipo de entusiasta, saiba que Arran Lochranza Reserve coloca as cartas na mesa. Não é filtrado a frio – o que evita que certos compostos responsáveis por sabores sejam retirados do whisky – e não há a adição de corante caramelo, para padronização de cor. Realmente, com a Arran, não tem conversa fiada.
No Brasil, uma garrafa do Lochranza Reserve custa algo próximo de R$ 210,00 na Single Malt Brasil, sua importadora oficial. Por este preço, é um negócio da China. Quero dizer, da Escócia. Então, meu caro leitor sem encher mais linguiça, te aconselho a não marcar touca ou dormir no ponto. Corra ou – perdão pelo décimo nono clichê deste texto – você pode ficar a ver navios.
ARRAN LOCHRANZA RESERVE
Tipo: Single Malt sem idade declarada (NAS)
Destilaria: Arran
Região: Higlands (Islands)
ABV: 43%
Notas de prova:
Aroma: frutado, com compota de fruta, limão siciliano.
Sabor: frutado e salgado. Final levemente cítrico, com baunilha e malte.
Com água: a água ressalta as notas frutadas.
Preço: aproximadamente R$ 210 (duzentos e dez reais), à venda na Single Malt Brasil.
A História está eivada de mitos. De imprecisões, versões, suposições. E a história do bourbon whiskey não foge à regra. Frequentemente relacionada àquela era do oeste selvagem e dos heróicos cowboys que enfrentavam animais selvagens e indígenas hostis, o whiskey americano evoca tradição, personalidade e destemor.
No entanto, a história real está bem longe do mito. E nem mesmo um homem de Deus – reverenciado por ser alegadamente o criador do bourbon whiskey – é exceção. Diz-se que Elijah Craig, um pastor batista, educador e exímio capitalista, fora o primeiro a destilar mosto de milho e armazená-lo em barris tostados, na Virgínia, numa região que mais tarde se tornaria o Kentucky.
Reverendo
Muitos historiadores americanos, porém, discordam. Elijah teria primeiro produzido um embrião de bourbon em 1789. Mas haveria registros de destilação naquela região desde meados do século XVIII. A lenda de Elijah, porém, se tornou mais conhecida e prevaleceu, na cultura popular, sobre qualquer verdade. Provavelmente por conta da notoriedade do reverendo Craig.
Mas, também, em grande parte, isto se deu por conta de um bourbon whiskey produzido pela destilaria Heaven Hill, do Kentucky. O Elijah Craig 12 Years Bourbon, e sua expressão mais jovem, o Elijah Craig Small Batch – que este Cão teve a oportunidade de provar em um evento com Fabio Lobosco no Cateto Pinheiros. E que, como sugere o título, é o tema deste drops.
Da de acordo com a Heaven Hill – produtora do Elijah Craig Small Batch – a história do bourbon foi um acidente. O pastor Elijah produzia moonshine na sua fazenda e armazenava em barris estanques, sem qualquer tratamento. Até que, certo dia, aconteceu um incêndio, e parte de seus barris foram convenientemente tostados.
Mas, para a surpresa geral até das leis da física, continuaram capazes de guardar o precioso líquido destilado e – graças à torra – transferir sabor para a bebida. Como a coisa toda não explodiu em uma enorme bola de fogo, não me pergunte. A história tem seus mistérios.
Aliens!
Ainda segundo a Heaven Hill, o Elijah Craig Small Batch é feito em lotes de 200 barricas ou menos. Ele é uma espécie de demonstração de força da destilaria. Mesmo conhecida por fazer whiskeys menos sofisticados, a Heaven Hill provou ao mercado que conseguiria, também, criar um produto premium.
A mashbill do Elijah Craig Small Batch é de 75% milho, 13% centeio e 12% cevada maltada. Sensorialmente, o whiskey traz nozes, frutas e um adocicado de laranja com baunilha, bem interessante. O álcool é bem integrado e o final longo e adocicado.
Infelizmente, não há importação do Elijah Craig para o Brasil. Porém, há outros produtos da destilaria em nosso país, como o famoso Evan Williams. E talvez, com um pouquinho de sorte, um pouquinho de fé e algumas preces – algo também utilizado pelo reverando Elijah – este incrível bourbon desça em nossas terras.
ELIJAH CRAIG SMALL BATCH BOURBON
Tipo: Bourbon whiskey
Destilaria: Heaven Hill
Região: N/A
ABV: 47%
Notas de prova:
Aroma: caramelo, açúcar mascavo, pimenta, baunilha. Um pouco de couro, talvez?
Sabor: baunilha, açúcar mascavo. Calda de açúcar queimada. Final longo, com especiarias e baunilha
Eu sei, é apenas mais uma convenção social. Apenas uma grande conspiração da industria e do comércio para coagi-lo a gastar mais dinheiro. Eu concordo com você, e eu sinto a sua dor. Não é porque estou aqui listando ideias de regalos para sua melhor metade, que sou conivente com esta data chantagista que é o dia dos namorados. O dia dos namorados realmente é desesperador.
E fica pior. Os restaurantes ganham filas de espera de três horas. O trânsito trava. Todo mundo manda mensagens públicas nas redes sociais que me fazem ter vontade de vomitar um arco-íris. Tudo fica rosa, vermelho e pink. E, claro, o outro lado da moeda – a oportunidade concedida aos solteiros de exaltar ou reclamar da solteirice.
Mas apesar de tudo isso, tudo isso mesmo, o Dia dos Namorados é uma data importante. Tudo bem que ela podia ser qualquer dia aleatório do ano. Ela é, porém, uma oportunidade dada a você, querido leitor ou leitora, de demonstrar como sua melhor metade é importante para você. De mostrar que você a entende e conhece. Aprecia seus gostos, compactua com suas paixões.
Assim, se você tiver um par tão apaixonado por whisky quanto este Cão – ou talvez um pouco menos, num nível saudável – nada mais oportuno do que reconhecer esta paixão. Aí vão quatro ideias de presentes para o dia mais pegajoso do ano. O Dia dos Namorados.
CHIVAS REGAL XV
O Chivas Regal XV acaba de chegar ao Brasil. Então, para seu par que está na vanguarda da manguaça, não há alternativa melhor. Mas não é só. No coração do Chivas XV há maltes como Strathisla, Longmorn e Aberlour. Além disso, o blend passa por um incomum processo de finalização em em barricas de carvalho europeu que antes contiveram cognac da região da Grande Champagne. Isso sim que é sofisticação despojada.
Então, vamos recapitular. Novidade, coração, cognac da região de Champagne. Nada líquido poderia combinar mais com o dia dos namorados. A venda na loja oficial da marca, aqui.
GLENCAIRN “KEEP CALM AND HAVE A DRAM”
Um relacionamento é feito de muitas coisas. Amor, cumplicidade e carinho. Mas também – em algumas situações raras, claro – de paciência. E se a paciência vier acompanhada de uma dose de whisky, então, melhor ainda. É para estes momentos que o Glencairn Glass “Keep Calm and Have a Dram” (“mantenha-se calmo e tome uma dose”) é perfeito.
Este verdadeiro recipiente de paciência líquida é também o copo oficial para degustação de whiskies, usado no mundo todo. À venda no Brasil em sua importadora oficial, a Single Malt Brasil.
GLENLIVET 15 ANOS
Se a paixão de sua paixão for single malts, o Glenlivet 15 anos é perfeito. É um whisky complexo, mas ao mesmo tempo sensorialmente bastante acessível. Possui notas de caramelo, baunilha, taninos e especiarias. Este perfil de sabor é obtido pelo emprego de barricas virgens de carvalho europeu em sua finalização (num processo chamado Selective Maturation), algo bem incomum na industria do scotch whisky. Com um presente desses, a única coisa que poderia permanecer virgem são os barris. Tunts.
Este é um single malt para paixões intensas. Intensas por whisky. O Machrie Moor Cask Strength possui 56,2% de graduação alcoólica – a mais alta dentre os whiskies à venda no Brasil. E seu aroma é predominantemente defumado e remete a bacon e pimenta do reino.
Se seu par é do tipo que coloca pimenta até na sobremesa, acha que o bacon sempre podia ser um pouquinho mais defumado ou acha que tem muito gelo na caipirinha, o Machrie Moor Cask Strength é o presente perfeito. À venda em sua importadora oficial, a SMB.
Avanti. Não, não a expressão em italiano. Mosler. SSC. Hennessey. Não, não o conhaque. Os carros. Se você não for um completo obcecado por automóveis, há uma bela chance de jamais ter ouvido falar de alguma – ou qualquer uma – dessas marcas. Mas não precisa ficar com vergonha. Elas são obscuras mesmo. Produzem carros de performance para um nicho de entusiastas e não são muito conhecidas do público leigo. O contrário, por exemplo, de Ferrari e Lamborghini.
Ferrari e Lamborghini são tão conhecidas que qualquer pessoa, mesmo que jamais tenha pilotado qualquer um deles – meu caso – quando indagadas, demonstrarão preferência. É uma rivalidade clássica. Uma rivalidade, aliás, que vai muito além de gosto. A contenda entre Lamborghini e Ferrari, que se estende até os dias atuais, é histórica. Vou contar pra vocês.
Na década de 1960, as Ferraris eram o máximo em automóveis esportivos de luxo. Tanto é que um tal de Ferruccio Lamborghini – um rico proprietário de uma mecânica de tratores – possuía uma. Mas Ferruccio não estava satisfeito. Seu vasto conhecimento em mecânica, adquirido durante a segunda guerra mundial e seu negócio de tratores, apontava que havia espaço para melhora naquelas incríveis máquinas. E como todo entusiasta meio sem noção, Ferruccio resolveu que seria uma boa ideia apontar estes erros para o presidente da companhia – Enzo Ferrari.
Acontece que Enzo não ficou muito satisfeito com as críticas de alguém que, em sua concepção, não passava muito de um mecânico de máquinas rurais. E com a delicadeza de um trator, mandou o mecânico ir, proverbialmente, carpir um lote. Ferruccio, inconformado, decidiu desafiar a Ferrari e produzir um automóvel esportivo melhor do que aquele que havia comprado. Assim nascia a Lamborghini – que, até os dias de hoje, é constantemente comparada com a marca de Enzo. Carros com propósitos e público semelhantes. Mas, em seu coração, essencialmente distintos.
Pra carpir o lote com sofisticação.
Uma batalha parecida com esta poderia ser travada entre dois blended scotch whiskies muito queridos no Brasil. O Chivas 18 anos e o Ballantine’s 17. Assim como Ferrari e Lamborghini – aplicadas as devidas adaptações para o mundo do whisky – são dois blends super premium com perfil sensorial e preço semelhantes, que costumam ser frequentemente comparados entre entusiastas e apreciados da melhor bebida do mundo.
Mas não é apenas o perfil de sabor dos whiskies que é parecido. A batalha é, na verdade, quase um braço de ferro entre irmão – algo que talvez acirre ainda mais a animosidade. É que tanto o Ballantine’s 17 quanto o Chivas 18 pertencem à Pernod-Ricard, multinacional francesa também responsável por single malts como The Glenlivet, Aberlour e Strathisla, a vodka Absolut e o conhecido – e delicioso – gim Beefeater.
O coração do Chivas 18 anos é o single malt Strathisla, que lhe empresta um claro perfume floral e frutado, comparável a jasmim. Além dele, o blend emprega uma boa quantidade de Longmorn, além de uma discreta quantidade de um single malt de Islay, que não é divulgado. Ao todo, o Chivas Regal 18 é uma mistura de algo entre dez e sessenta single malts e grain whiskies (o número real é um segredo muito em guardado), todos eles maturados por, no mínimo, dezoito anos em barricas de carvalho. O blend foi elaborado por Colin Scott, master blender da Chivas Regal.
A Strathisla
Já o Ballantine’s 17 anos possui, em sua base, os maltes das destilarias Scapa, Glenburgie, Miltonduff e Glentauchers. É uma combinação interessante, que une um whisky delicado e mineral – Scapa – a whiskies secos e adocicados da mainland escocesa. Além, claro, de whisky de grão e proporção menor de whiskies de outras destilarias. Atualmente, o master blender responsável por ele é Sandy Hysop, que possui mais de trinta anos de experiência como blender.
Colocados lado a lado, o Chivas 18 é mais floral e delicado. O Ballantine’s 17, por sua vez, traz mais dulçor, e é mais frutado e intenso. Em ambos os casos, o álcool é extremamente bem integrado – graças à longa maturação do grain whisky, que costuma levar mais tempo para ter sua pungência atenuada. O sabor residual do Chivas 18 é mais longo e floral, enquanto que o Ballantine’s 17 começa doce e torna-se progressivamente seco. Ainda que possuam perfil de sabor semelhante, Ballantine’s 17 e Chivas Regal 18, quando colocados lado a lado, se mostram bem distintos.
Escolher um ou outro, como tudo na vida, é uma questão de gosto. E ainda que este Cão tenha uma leve propensão pela criação de Colin Scott (leia mais sobre isso aqui) a verdade é que o Ballantine’s 17 anos e Chivas 18 são dois dos melhores blended whiskies super-premium à venda em nosso país. Independente de sua preferência, e ainda que sua preferência seja por single malts, é quase impossível não gostar deles. São blends que entregam complexidade, personalidade e drinkability como poucos. Porque, afinal, entre Ferrari e Lamborghini, qual a melhor? A que eu tiver a oportunidade de dirigir, é óbvio.
BALLANTINE’S 17 ANOS
Tipo: Blended Whisky com idade definida (17 anos)
Marca: Ballantine’s
Região: N/A
ABV: 40%
Notas de prova:
Aroma: adocicado, mel, especiarias e um pouco de fumaça.
Sabor: Adocicado no início e progressivamente frutado, final médio, com um pouco de fumaça e vinho fortificado.
Com Água: Água torna o whisky mais adocicado e ressalta a fumaça.
CHIVAS REGAL 18 ANOS
Tipo: Blended Whisky com idade definida – 18 anos
Marca: Chivas Regal
Região: N/A
ABV: 40%
Notas de prova:
Aroma: aroma claramente floral, com baunilha. Adocicado, com defumação muito, muito discreta.
Sabor: extremamente suave, com frutas em calda, chocolate, baunilha e um pouco de especiarias. É um whisky menos agressivo do que o Chivas Regal Extra, ainda que igualmente complexo.
Com água: A agua torna o whisky menos adocicado. É um blended whisky que funciona melhor sem gelo.
Sob o céu noturno desanuviado, do ducentésimo andar de um prédio de ferro e vidro, observava o trânsito. Dezenas de milhares de pares de luzes, formando enormes cordões iluminados. Alguns brancos. Outros, vermelhos, De lá de cima, até o caos do tráfego fica bonito. Deve ter a ver com esse silêncio contemplativo proporcionado pelo espesso vidro antirruído. Ou é isso, ou é a taça em minha mão. Meia dose do Chivas Ultis
Aquela era a primeira vez que provava o whisky. E não poderia haver oportunidade mais perfeita. Estava no escritório da Chivas, em São Paulo, a convite da Difford’s Guide. E ainda que a coquetelaria fosse a estrela da noite, minha atenção se voltou quase que instintivamente àquele Ultis – provavelmente o mais importante recente lançamento da marca escocesa.
O Chivas Regal Ultis é o primeiro blended malt da famosa marca escocesa. Em seu coração estão single malts de apenas cinco destilarias, pertencentes ao grupo Pernod-Ricard. Allt A’Bhaine, Braeval, Longmorn, Tormore e, claro, a magnífica Strathisla, lar espiritual da Chivas Regal. Por ser um blended malt, não há o emprego de whisky de grão. A utilização de apenas cinco maltes em sua composição é uma homenagem aos cinco master blenders que passaram pela Chivas Regal – dentre eles, o criador do Ultis, Colin Sott.
Não, o Javier não é um deles.
Nas palavras da Chivas “desde 1909, apenas cinco homens dominaram o estilo da casa Chivas Regal, e o Ultis presta homenagem a esta força de visão, comprometimento e domínio pelos Master Blenders da marca. O Chivas Regal Ultis é um whisky de luxo, com sabores complexos, coloração dourada e um aroma poderoso e rico, fazendo-o perfeito para celebrar o sucesso compartilhado com amigos.
Dos milhões de barris no estoque dos Chivas Brothers, apenas 1% foi selecionado a mão pelo time de blenders para criar o Chivas regal Ultis. Este método tradicional de avaliar individualmente cada barrica garante a qualidade superior do blend. O processo de destilação ocorre exclusivamente em alambiques de cobre, capturando a essência do caráter generoso e suave, característico da Chivas Regal. “
Se você for um whisky-geek e observar atentamente, há um ponto curioso sobre a fórmula do Ultis. Ocorre que blended malts costumam levar em seu coração whiskies de regiões diferentes da Escócia. A ideia é que estes whiskies, com diversos perfis sensoriais, quando combinados, criem equilibrio e complexidade. Um exemplo clássico é o Johnnie Walker Green Label, que leva os defumados Talisker (da ilha de Skye), e Caol Ila(de Islay) e os frutados Craggranmore e Linkwood (ambos, de Speyside).
Mas o Ultis é uma exceção a essa regra. Todos os maltes de sua receita provém da região de Speyside, e possuem perfil sensorial semelhante. Pode parecer quase uma escolha equivocada, mas, na verdade, é um enorme acerto. O Ultis, nesse sentido, se distancia de um blend padrão – que procura agradar pela diversidade sensorial – e se aproxima de um single malt. Ao invés de trazer um pouquinho de tudo, o Ultis aposta na complexidade de um único perfil de sabor. Um frutado amadeirado, aliás, bem caraterístico dos Longmorn.
Se você – assim como este Cão – é um admirador dos whiskies da Chivas Regal, ou se procura algo com aquele perfil sensorial, mas um pouco mais intenso, o Ultis é seu whisky. É um blend que torna qualquer oportunidade que se pode prová-lo como perfeita.
CHIVAS REGAL ULTIS
Tipo: Blended Malt sem idade declarada (NAS)
Marca: Chivas Regal
Região: N/A
ABV: 40%
Notas de prova:
Aroma: frutado, com mel, nozes e uma certa baunilha.
Sabor: Mais intenso do que a maioria dos Chivas. Frutas em calda, mel, panetone. Final frutado com baunilha discreta. Malte.
Os smartphones foram, talvez, a melhor invenção dos últimos quinze anos. Não por serem aparelhos práticos e versáteis, que contém todo o conhecimento do mundo a, literalmente, o toque de nossos dedos. E nem por nos ajudarem a economizar preciosos minutos em um mundo cuja maior commodity é, justamente, tempo. Não, a função mais importante mesmo é disfarçar minha fobia social.
O smarphone é um escudo. Um verdadeiro campo de força invisível. Ao descer os olhos e deslizar os polegares opositores sobre a tela preta, tudo é perdoado. Não há remorso no silêncio, mesmo no ambiente mais constrangedoramente social do mundo – o elevador. Com meu celular na mão, nunca mais precisei falar do tempo, do jogo de futebol que eu não vi ou qualquer outra aleatoriedade.
E pode parecer um contra senso isso, especialmente vindo de alguém cujo trabalho é, essencialmente, comunicação. Mas não é. Tenho uma enorme dificuldade em conversar. Tenho medo dos silêncios constrangedores. E de parecer enfadonho. Ou animado demais. Isso, claro, sóbrio. Depois de umas duas doses, posso conversar sobre tudo – das especificações técnicas do colisor de hádrons ao último sucesso “juntos e shallow now“.
Assim, quando recebi o convite da Interfood de realizar uma entrevista exclusiva com Daniel Dyer, o embaixador mundial da Grant’s, para aprender sobre a recente reformulação visual da marca, fiquei tenso. Mas nos primeiros minutos que encontrei Danny, percebi que meus medos eram completamente infundados. E não era apenas o Old Fashioned de Grant’s no meu copo. O papo fluiu, para mim, tão bem como new-make spirit descendo pelo spirit safe da Glenfiddich.
Nova identidade visual da Lady Gaga e Bradley Cooper
Danny foi escolhido entre mais de cinco mil participantes em um dos maiores concursos da indústria da bebida. O programa se chamava “The Greatest Job Interview in the World” e tinha como objetivo, justamente, escolher um embaixador para a nova fase da Grant’s. Que, agora, conta com as palavras “Triple Wood” nos rótulos de algumas expressões de seu portfólio, bem como uma garrafa bem mais sofisticada. Mas a melhor pessoa para explicar tudo isto não sou eu. É Danny. Vamos a ele.
Para começar, você tem viajado muito. Qual foi a sua melhor experiência?
Eu recebo essa pergunta algumas vezes. Eu não tenho o que mais gosto. Eu tenho aquelas que foram um grande choque para mim. Porque eu não viajei muito antes de conseguir este emprego. E o maior choque que tive foi quando fui para a África. Você tem uma ideia de como é, mas você realmente não sabe até chegar lá.
Fui para a Tanzânia e depois para o Quênia, Nairobi. Nós fomos de carro da Tanzânia para o Quênia, e quando chegamos a Nairobi, achei que fosse um lugar completamente diferente. Era como um lugar com muita energia, e muito atual. Foi a primeira vez que vi pessoas com Grant’s em suas mesas. Isso nunca acontece. Eu fiquei muito surpreso e passei ótimos momentos lá.
Então, o que você achou do Brasil? E quais foram suas expectativas?
O Brasil é ótimo. Eu não sabia o que esperar. Exceto pelo futebol. Eu sou um grande fã de futebol, eu amo o Celtics. E o Brasil pra mim sempre foi futebol. Quando cheguei aqui, foi bem cedo de manhã, e fui direto para o bar Guilhotina (para um guest bartending e apresentação para o on-trade). E a partir daí, me senti mais confortável. Fui bartender por alguns anos, então, a partir daí, tive uma melhor ideia do cenário.
Desde o primeiro momento, todos foram muito atenciosos, amigáveis e calorosos comigo, Compartilhando seus conhecimentos, eu sabia que estava em um abiente legal. Quando você vê os bartenders, você sabe como os consumidores serão, como a vida noturna será. Pessoas muito amigáveis.
Tudo indo bem, meu chefe disse que eu voltarei para o Brasil no próximo ano e espero ter mais tempo para explorar e conhecer os lugares. Dedos cruzados para que eu volte no próximo ano!
Vamos falar de whisky. Me conta um pouco mais sobre o Grant’s.
Eu acho que o Grant’s é uma ótimo blend. Tudo está equilibrado. O objetivo de todo blend é este. Quando a Escócia produzia apenas single malts, muito antes do licenciamento das destilarias, vendíamos nossos single malts para os ingleses. E eles diziam que era muito duro, muito forte. E assim, decidimos misturá-lo, para facilitar para o paladar inglês. Para mim, um blend deve ser essa mistura perfeita de partes trabalhando juntas. Eu gosto de todos os uísques, mas para mim, Grant’s é o que se destaca. É um Speyside clássico.
Que bom que você mencionou Speyside. Vocês só usam maltes Speyside na mistura?
Não não. Na verdade, usamos 25 maltes diferentes de toda a Escócia. Alguns não são do nosso portfólio. E nós temos nossa destilaria de uísque de grão, que é uma enorme coluna, com mais de 30 metros (100 feet). É impressionante. O uísque de grãos é feito com trigo ao invés de cevada e eu tive a oportunidade de prová-lo. E, sensorialmente, é frutado, lembra pera. E quando você tem a oportunidade de provar o single grain maturado, o sabor lembra aquelas balinhas de fruta americanas, com cremosidade.
Você tem que pensar que 60% da mistura vem do grain whisky, então quando você tem o grain whisky mais procurado em toda a indústria – Girvan – você está se saindo bem. E nós ainda temos Brian Kinsman como nosso master blender e Kelsie como seu aprendiz de blender. Eles têm que pegar 25 maltes únicos de todos os tipos, que devem combinar com o grain whisky. E deve haver consistência. Há cinco anos, hoje e daqui mais cinco anos, Grant’s tem que ter o mesmo sabor. A coisa mais difícil no portfólio é esta – novas destilarias estão morrendo e algumas nascem. Então não é como se houvesse uma receita. Isso muda o tempo todo.
A destilaria da Grant’s, Girvan.
Conte-me mais sobre a “Triple Cask Maturation”, a maturação em três barricas distintas, que está no rótulo do Grant’s.
Isso é algo que já fazíamos há bastante tempo. Usamos estes três tipos de barris para maturar todos os nossos whiskies. Mas ninguém sabia disso. E no ano passado, com o lançamento da nova garrafa e o novo portfólio, chegou a hora de contar às pessoas sobre a qualidade de nosso blended scotch whisky.
Então, os três barris são o de carvalho virgem, o de bourbon de reuso e carvalho americano de ex-bourbon de primeiro uso. Quando você está bebendo Grant’s puro, você percebe uma pimenta, que é do carvalho virgem.. Um sabor tânico, seco e de carvalho. O bourbon de primeiro uso traz certas notas clássicas de bourbon, baunilha, avelãs, açúcar mascavo. E, finalmente, com os barris de reuso você obtém o caráter da destilaria, porque a influência do barril é menor e o new-make spirit aparece.
Usar o carvalho virgem é muito raro na indústria do uísque escocês. Vocês usam muito isso?
Bem, eu não tenho certeza se deveria te dizer, eu poderia ter problemas. Bem, desculpe Brian, aqui vai. Usamos cerca de 5% de carvalho virgem. 5% da garrafa é de carvalho virgem. A razão é que é que ele é muito intenso. O sabor é super forte. E isso traz esse tempero e afeta bastante a cor também. Parece um barril de jerez, mas quando você prova, tem aquele sabor tânico de carvalho. E isso é apenas 5%;
E a composição? Quais são os maltes centrais lá? Glenfiddich e Balvenie? E a nova destilaria, Ailsa Bay?
Abrimos Ailsa Bay para ser quase uma réplica do Balvenie e como ela é operada. Não vou dizer que é a destilaria mais avançada tecnologicamente, mas é incrivelmente avançada. Uma pessoa pode executar todo o show, é muito impressionante. Eu passei algum tempo com o stillman lá, e ele me explicou que você pode realmente mudar como o mosto se comporta até – não me entenda mal, há seis telas na frente do cara, mas eles realmente sabem exatamente o que está acontecendo e o que vai acontecer se você mudar algum parâmetro. O Triple Wood e o Grant’s Smoky têm o Ailsa Bay, e você pode realmente sentir isso na mistura.
Ailsa Bay ainda tem também uma serpentina de refrigeração de aço inoxidável, ao invés de cobre. Como você sabe, o cobre limpa o new-make, remove os compostos sulfúricos. Mas o aço faz com que os aromas de fumaça e sulfuroso passem. Quando eu vi pela primeira vez, ainda pensei “não pode fazer tanta diferença“. Mas faz. E é apenas um malte, uma pequena porção do blend. Um malte muda tudo.
Alambiques da Ailsa Bay (fonte: scotchwhisky.com)
Agora, Glefiddich e Balvenie são enormes destilarias de single malt. Então, de novo, provavelmente serei morto por dizer isso, mas cerca de 6 ou 7 anos atrás paramos de usar Balvenie em Grant’s apenas porque o mundo do uísque está ficando louco por single malts. Então, Glenfiddich faz Glenfiddich e Balvenie faz Balvenie. Não há Glenfiddich ou Balvenie nos blends, porque é tudo engarrafado como single malt. Infelizmente, não podemos usá-los. Mas há inúmeras outras destilarias que podemos usar, de acordo com nossas especificações e nossos padrões, nos blends.
Me fale sobre o rebranding. Por que é importante colocar as informações sobre os barris no rótulo?
Eu acho que os consumidores estão ficando mais espertos. No passado, havia muito sobre o produto ainda estar na família e escolher os melhores grãos e tudo mais, mas acho que qualquer um pode dizer isso, certo?
Não se trata de chamar sua atenção na prateleira do duty-free. Mas parecer e soar ainda melhor. Então, para um bartender, quando a garrafa parece boa e eles sabem a história, faz sentido.
Quando colocamos “Triple Wood” lá, embora nem todos que comprem uísque sejam tão geek quanto você e eu, eles entendem a importância. A madeira é 60% do sabor que vem na mistura. Isso é o que está afetando o sabor. Mas não é apenas o nome. é a mudança da garrafa. A garrafa velha é um pouco como um cara alto e desengonçado. A nova garrafa é mais forte, parece mais forte. E os consumidores também se sentem assim. Muito mais confiantes!
A nova garrafa
E é verdade, isso é ótimo.
Sim, a informação procede, é real, não é papo furado.
Grant’s deve ser para todos. Grant’s tem um estigma de ser o whisky do vovô. Não é. A qualidade do líquido é tão boa que é uma pena que alguém não se permita experimentá-lo. Então, se temos que mudar a garrafa e o nome para isso, para mostrar o quanto somos realmente bons, então que assim seja. Agora podemos começar a mostrar. Nós fazemos isso há 125 anos, então estamos fazendo algo certo. Somos a terceira maior empresa de bebidas alcoólicas do mundo e a terceira mais vendida do mundo.
E mais. O Grant’s recebeu muitos prêmios. Dentre eles, o IWSC, que é super importante. No ano passado, Grant ganhou prêmio de destilaria do ano. Também ganhou produtor de uísque escocês do ano. E não é um caso único. Ganhou prêmio de produtor do ano por 12 vezes.
E esta é a maior mudança que fizemos em nosso portfólio por um longo tempo. Não é só o nome. É também o lema do nosso clã “Stand Fast“. Significa manter-se firme em seus pontos de vista, ficar com sua família e amigos e crescer forte juntos, e é isso que a Grant’s acredita. Também temos o que chamamos de “nosso músculo”, “nosso mestre” e “nosso criador”. Nosso músculo faz os barris. Nosso mestre mistura nosso uísque juntos. E o criador, faz o uísque. E nós somos a única destilaria do mundo a ter os três sob o mesmo teto.
É uma bela história, e você parece saber de trás pra frente. Você é embaixador há quanto tempo? E quantos países você já foi?
Por dezoito meses. E perdi a conta dos países. Mas pelo menos 20. Eu estive em Amsterdã na semana passada. E daqui, eu vou para o México, depois para a África. É ótimo, eu amo isso.
Nossa, quanta coisa. Aliás, você foi selecionado entre cinco mil participantes. Me conta da entrevista para virar o embaixador de Grant’s.
Essa pergunta sempre me faz rir. Foi a coisa mais louca que aconteceu. Um ano e meio atrás eu estava trabalhando em um bar de uísque, e um dos meus amigos me ligou um dia e me perguntou se eu queria viajar pelo mundo. Eu não tinha Instagram ou qualquer coisa, e não ligava muito pra midia social. Ele me mostrou o concurso da Grant’s, o “Greatest Job Interview in the World”.
Então eu fiz um certo Instagram, comprei algumas garrafas de Grant’s e convidei meus amigos, bartenders, para fazer alguns coquetéis. Na verdade, não me lembro muito daquela noite, mas um coquetel foi feito e postado. E algumas semanas passaram, e eu recebi um e-mail com “parabéns”, seguido rapidamente por “você está entre os 250 finalistas”. Então, parabéns e 250!
O e-mail dizia que eu tinha que fazer um vídeo para explicar meu ponto de vista como embaixador. Se fosse escolhido, iria para Dufftown (onde está Glenfiddich, pertencente à Grant’s). Então chamei um amigo, que é cineasta e ator – eu também costumava ser ator. E eu disse: “Eu sei o que eu quero fazer, eu tenho o script na minha cabeça, nós vamos até ao Water of Leith em Edimburgh. Traga sua câmera, ok? ”. Bebemos uma dose de Grant’s de café da manhã naquele dia. E no primeiro take foi perfeito, e nós o enviamos. Uma semana depois, eu estava entre os 20 finalistas.
Belo cenário para um vídeo!
E foi ótimo. Eu não sei se você já esteve em um lugar cheio de fãs de uísque e entusiastas. O pessoal de Grant’s é otimo em escolher pessoas. Havia uma grande energia lá. Eles conseguiram pegar 20 pessoas que não eram apenas entusiastas, mas não eram afetados ou metidos sobre o assunto. Fizemos muitos desafios e lembro-me do último dia, em que tomamos algumas boas doses para celebrar. E no dia seguinte, logo de manhã, estávamos todos alinhados logo ao lado da loja na Glenfiddich. Eu fui o segundo nome que eles chamaram. Eu comecei a chorar. Foi demais.
E aí me disseram que eu viajaria para a Rússia e depois para Taiwan ao longo de dez dias para apresentar Grant’s. E aqueles dez dias foram os dez dias mais loucos da minha vida. Eu desembarquei na Rússia e foi um vôo e tanto. Eu estava exausto, mas muito animado. E nos próximos três dias com a equipe na Rússia, eu não dormi. Eu preparava coquetéis em todos os bares. Eu chegava em um bar e alguém dizia “vai pra trás do balcão”. “Você tem certeza?” “sim, certeza, vai pra trás do balcão”. Então, bom, eu tenho uma lembrança confusa do que era a Rússia, mas muito divertida. Em certo ponto resolvi também declamar poesia escocesa para os russos. “Eu vou mandar aqui uns Robbie Burns”. E ainda arrematei com Bukowski.
Depois, fui pra Taiwan. e os lugares não poderiam ser mais diferentes. A Rússia tem uma máscara que, quando você a remove, passa a amá-la. Mas em Taiwan, eu tinha pessoas aleatoriamente correndo até mim e me cumprimentando porque eu era um pouco diferente. Foi fantástico. Eles tinham alguns desafios, ou tarefas, como eles chamavam. Um deles era uma harmonização de pratos com Grant’s. Foi realmente lindo.
Por fim, eu fui para a Austrália e conheci o time lá. Justin, que é o nosso embaixador do Monkey Shoulder, estava lá e me disse “você deve estar morrendo, vamos te dar uma folga”. E assim que saí do avião e fui para o hotel ele disse “É brincadeira, você está prestes a atravessar a Sydney Harbour Bridge”. E novamente, eu preparei coquetéis em toda parte. Em um barco, inclusive!
E quando voltei para casa, me senti estranho. Eu fui trabalhar alguns dias depois, e foi como se uma parte de mim tivesse sido removida. Foi como “Estou aqui, estou fazendo isso, mas tudo mudou“. E cerca de três semanas depois recebi um telefonema do nosso diretor de marca na época, ele disse “você conseguiu o emprego!”. Eu estava olhando para a parede ao telefone, e disse: “você tem certeza?“, E eu gritava, xingava e dizia “Me desculpe, mas você tem certeza?“. De lá, contei a novidade aos meus pais, e foi ótimo.
Vamos falar rapidamente sobre coquetéis. qual é seu preferido?
Eu acho que Old Fashioned. Old Fashioned mostra realmente o que é o uísque. Mas há um que eu amo só porque eu absolutamente odiava como um bartender. Qual é o coquetel que odiamos porque estamos a dez minutos do fechamento do bar e alguém pede um ou dois e, de repente, todo mundo está pedindo igual. Sabe qual é? Expresso Martinis!
E um Expresso Martini com o Grant’s é ótimo. Porque você muda o sensorial neutro da vodka por algo mais carregado, e isso o torna ainda mais quente.
De volta ao uísque – qual é o seu uísque favorito de Grant’s?
Gosto muito do Grant’s defumado, o Grant’s Triple Wood Smoky Blend. Eu também amo o finalizado em barris de cerveja ale, o Ale Cask. Foi o primeiro uísque a ser finalizado em um barril de cerveja. Não foi Glenfiddich IPA. Este foi vinte anos depois. O Sr. Balvenie (David Stewart, master blender da Balvenie) fez isso em 1996. E eu ainda acho que é um dos melhores Grant’s por aí.
Mas o que eu mais gosto é provavelmente o Rum Cask. Na minha segunda semana no trabalho, fui ver Brian Kinsman e ele tinha esses whiskies na frente dele. E ele disse “você vai experimentar alguns whiskies”. “Está bem”. “Então, o que você pensa sobre eles?”. E eu disse “bem, eles são muito legais”. E ele me perguntou “o que você escolheria?” E eu escolhi um. Ele então olhou para mim e disse: “Você acabou de escolher Grant’s Rum Cask”. E eu disse “não, sério mesmo?” Isso me deixou muito feliz!
Nossa. Pelo jeito, você e Grant’s foram feitos um para o outro!
Ah, a França, o país mais gourmet do mundo. Tão gourmet que a palavra gourmet é francesa. Só de queijos, são mais de mil. Mil tipos diferentes e oito categorias. E tem os vinhos. Por ano, são produzidas mais de 7 bilhões de garrafas de vinho no território francês. Isso sem contar os brandies, como o cognac e armagnac.
Com tanto queijo e álcool, seria de se supor que a França jamais beberia uma gota de bebida importada. Porque, gente, quando dá pra fazer todo dia um queijo-e-vinho diferente e arrematar com um conhaquinho, quem iria pensar em algo vindo de além da fronteira?
Mas a realidade é surpreendente. A França é um dos maiores consumidores de whisky do mundo. Per capita, aliás, é o consumo mais alto do mundo. 2,15 litros por ano por habitante. Pra você ter uma ideia de como isso é muito, o Brasil – mesmo comigo e com a cidade do Recife elevando a média – consome apenas 0,24 litros per capita da bebida.
E naquele país, uma das marcas de single malt mais apreciadas é o Aberlour. Talvez seja por conta do perfil sensorial voltado para o mundo dos vinhos. Ou talvez por ser quase impossível falar Aberlour com sotaque francês sem fazer biquinho. Não sei. Mas o fato é os franceses são apaixonados pela destilaria. Tão apaixonados que a própria Aberlour lançou um rótulo exclusivo para seu mercado. O Aberlour 15 Select Cask.
É que o Aberlour 15 – o normal – é um dos rótulos preferidos dos habitantes da terra do croissant. Mas muitos procuravam algo mais encorpado. Algo que fizesse frente aos brandies mundialmente admirados daquela nação. A Aberlour, então, criou seu Select Cask Reserve. É um Aberlour 15 anos, mas com uma seleção de barris um pouco diferente, ainda que não claramente divulgada, mas que privilegia os sabores de caramelo e baunilha vindos do carvalho americano.
Sensorialmente, o Aberlour 15 Select Cask Reserve é oleoso, mas bem mais dócil do que parece. Há um bom equilíbrio entre o adocicado e o frutado vindo das barricas de vinho. O final é longo e também frutado, com um apimentado muito agradável. A 43% de graduação alcoólica, é o tipo de whisky capaz de agradar tanto bebedores mais experientes quanto iniciantes.
Assim, se você for afortunado (talvez literalmente) o suficiente para visitar a França, saiba que o país não tem apenas uma história incrível, bebidas excelentes, pratos deliciosos, cultura monumental e moda elegantíssima. Há também whiskies escoceses exclusivos, mon ami. E – como o Aberlour 15 anos Select Cask Reserve – excelentes.
ABERLOUR 15 ANOS SELECT CASK RESERVE
Tipo: Single Malt com idade definida – 15 anos
Destilaria: Aberlour
Região: Speyside
ABV: 43%
Notas de prova:
Aroma: frutado e adocicado, com baunilha e mel.
Sabor: frutado, com maçã, frutas vermelhas e carmelo. Final longo e progressivamente vínico e picante.
Com água: o sabor fica mais adocicado e menos picante.
Este é um post sazonal sobre personagens que amam whisky. Para ler os demais posts, clique aqui para o primeiro, aqui para o segundo e aqui para o terceiro.
Que o whisky é um catalisador de criatividade, ninguém duvida. O escritor William Faulkner, por exemplo, sempre mantinha uma garrafa ao alcance das mãos enquanto escrevia. Já Charles Bukowski, com todo seu ar hipster maldito, adorava boilermakers mesmo antes deles terem se tornado cool.
Dalton Trumbo – roteirista responsável por filmes como Papillon, Arenas Sangrentas e Spartacus – também não dispensava um bom whisky escocês ao exercer sua criatividade. E Samuel Clemens, conhecido pelo pseudônimo de Mark Twain, sempre possuía um bom pretexto para consumir a melhor bebida do mundo: “Eu sempre tomo whisky escocês a noite para prevenir dor de dente. Eu nunca tive dor de dente, e vou lhe dizer mais, eu não pretendo ter também”
Muitas vezes o whisky permanece do lado real da obra ficcional. No entanto, ocasionalmente, o whisky passa a fazer parte da história. Afinal, há uma pletora de personagens que, assim como nós, compartilham do amor pela melhor bebida do mundo. Assim queridos leitores, aí vai mais uma lista com quatro indivíduos da ficção que, assim como nós, não dispensam um bom whisky.
Ron Swanson
Olha, tenho que admitir que somente ressuscitei este tema por conta de Ron Swanson, do seriado Parks & Recreation. Ron é um funcionário público mau-humorado, que trabalha ativamente para que a prefeitura da cidade ficcional de Pawnee, Idiana, seja mais morosa e ineficiente.
Ele despreza quase todo mundo, mas ama tudo que se relaciona ao universo eminentemente masculino. Carne, caça, embutidos e, claro, whisky. Seu malte de preferência é o incrível Lagavulin. A relação do personagem – e de Nick Offerman, ator que o impersonaliza – é tão forte que a própria destilaria convidou Nick para realizar alguns vídeos sobre ela. Para saber mais, acesse My Tales of Whisky, no YouTube
Arthur Bach
Arthur é o protagonista do filme homonimo, de 1981. Vivido por Dudley Moore, Arthur é um ébrio milionário novaiorquino à beira da falência. Para se salvar da miséria, arranja um casamento com Susan Johnson, herdeira de outro afortunado senhor, relacionado a seu pai. Arthur, porém, se vê dividido entre a conveniência e a paixão ao conhecer uma garota chamada Linda Marolla, estrelada por Liza Minelli.
Uma das frases mais famosas do filme vem de Arthur em uma inspiração etílica “Nem todos nós que bebemos somos poetas. Alguns de nós bebemos por não ser poetas“.
Tenente Archie Hicox
“Há um espaço no inferno especial para quem desperdiça um bom scotch“. É com essa frase que o Achie Hicox, tenente britânico, começa seu discurso ao se ver no impasse final do filme Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino – no que, na opinião deste Cão, é a melhor cena do filme.
Não há menção sobre a marca do whisky, mas, pelo semblante do militar, é daquele tipo bom de morrer.
Rooster Cogburn
Rooster Cogburn é um Agente Federal (US Marshall) norte-americano, veterano da Guerra Civil, que é tão destemido quanto ébrio. Sua primeira aparição foi no filme True Grit, de 1968, vivido por John Wayne, e, posteriormente, Rooster Cogburn (1975) e True Grit: A Further Adventure (1978). Mais recentemente, foi reencarnado no corpo de Jeff Bridges, na regravação pelos Irmãos Coen do primeiro filme, em 2010.
Rooster não faz muita distinção do whiskey que bebe. Mas seu tipo preferido é um “genuíno estoura cabeça duplamente retificado, envelhecido em um tonel” ou, no original – que faz mais sentido – “Genuine, double-rectified bust head. Aged in the keg “