A era digital trouxe infinitas facilidades. E também algumas obsolências. Do telefone fixo, por exemplo. E do correio físico, para cartas. Aqui em casa, temos apenas um telefone fixo, que fica de castigo, instalado na área de serviço, e raramente toca. E quando o faz, nunca é coisa boa. Alguém oferecendo combo de internet, ou alguém pedindo doação. Atender o telefone aqui em casa é certeza de ser achacado.
O correio físico vai na mesma linha. Exceto por uma ou outra eventual encomenda, conferir o correio é certeza de desgosto. Multa de trânsito, mala direta de corretora e minha tão admirável quando desesperadora fatura mensal do cartão de crédito. Todas vêm pelo correio e sorrateiramente deslizam por baixo da porta para me acossar.
Mas, em raríssimos casos, recebo algo que compensa todas aquelas dezenas de pequenos amolações seladas. Como, por exemplo, na semana passada. Um pequeno envelope azul, mais ou menos gordinho e absolutamente despretensioso, não fosse um pequeno detalhe. Um brasão dourado em seu centro – Royal Salute.
#morri
Aquele brasão denunciava que aquela não era uma missiva comum. Abri o envelope com antecipação, para encontrar o que talvez fosse o mais incrível convite já recebido por este Cão. A oportunidade de provar alguns novos whiskies da Royal Salute – o que, per si, já seria excelente.
Mas não apenas isso. Provar alguns novos whiskies da Royal Salute na Coreia do Sul! Quatro dias de total imersão em uma das mais elegantes, exclusivas e desejadas marcas de scotch whisky do mundo. E com a oportunidade de conhecer grandes figuras por trás do emblemático blended scotch, como Sandy Hyslop e Barnabé Fillion – master blender e creative designer. Imaginem a trêmula empolgação deste Cão ao ler o convite.
Hyslop, lenda!
Nas palavras – traduzidas com nervosismo por este Cão – da marca de ultra-luxo “A Royal Salute está vibrante com a introdução de um novo visual para seu 21 Anos tradicional. É a transformação mais emocionante deste a criação da marca, em 1953, para celebrar a coroação da Rainha Elizabeth. Em comemoração pela ocasião, introduziremos também dois scotch whiskies novos excepcionais em nossa linha de vinte e um anos. O Malts Blend e o Lost Blend. Seja nosso convidado enquanto revelamos esta coleção extraordinária, digna da realeza moderna“
Assim, meus queridos leitores, preparem-se. Durante a semana que vem, de segunda a sexta, Este Cão Engarrafado estará na Coreia do Sul para trazer a vocês, em primeira mão, novidades incríveis sobre a única marca de scotch whisky cuja expressão mais simples tem vinte e um anos de idade. A Royal Salute.
Fiquem ligados. E, se me permitem um conselho não relacionado, tirem o telefone fixo do gancho. Mas não ignorem a caixa de correio. A caixa de correio traz coisas extraordinárias.
Esses dias fui almoçar no shopping, e vi uma bolsa feminina de palha na vitrine de uma loja de grife. Olha, eu não presto muita atenção bolsas, mas aquela era uma bem bonita. Ela tinha um ar elegante, mas sem ser pretensioso. Pensei em comprar para a Cã, de aniversário de casamento. Fazia um bom tempo que não dava um presente para ela. Entrei na loja em passos largos, me sentindo resoluto. A Cã iria amar a surpresa.
Passei uns minutos observando a bolsa, braços pra trás, simulando interesse pela peça e aguardando que alguém me atendesse. Uma vendedora, notando minha encenação, se aproximou. Gostou da bolsa? Sim, queria dar pra minha esposa. A vendedora então tirou a bolsa da vitrine e a apoiou num mostruário. Passando a mão delicadamente por sua lateral – da bolsa – disse. Olha só, a palha é tratada com um produto especial para ser durável. E o design é italiano. É um design despojado, mas elegante, perfeito pra levar pra praia. Seja pra Pipa ou pra Mikonos.
Nossa, realmente, é muito bonita, muito especial – retruquei, tentando chegar logo à parte do preço. A vendedora então puxou, com o cuidado de quem desarmava uma bomba, o fiozinho da etiqueta de preço de dentro. E está em promoção. Três mil reais. Silêncio dramático se seguiu. Pensei em perguntar se a palha tinha sido retirada da estrebaria onde a Virgem Maria teria parido o Menino Jesus, mas me controlei. Agradeci e disse que ia pensar mais um pouco – de uma forma quase tão despojada e elegante quanto a própria bolsa.
Deux me livre.
E aí fiquei pensando. Eu entendo que menos é mais, e que às vezes o preço de justifica pelo desenvolvimento, ou pelo design. Mas aquilo ainda era uma bolsa de palha. Somente palha, despretensiosamente entrelaçada para gerar algo extremamente elegante. Não era como, por exemplo, o recente lançamento de uma das mais famosas marcas de blended whisky do mundo. O Chivas Regal XV.
É que o Chivas XV também possui o mesmo despojamento elegante, mas sem custar o mesmo que a bolsa aparentemente feita da palha do duende do Rumpelstichen. Desafetação esta, aliás, bem alardeada pela Chivas. De acordo com a marca, o Chivas XV é “um blend de 15 anos que desafia as convenções de como e quando beber scotch whisky. Criado para ser aproveitado como parte de um momento de celebração de muita energia, o Chivas XV prova que um whisky sério não precisa de um ambiente sério para ser tomado“.
E quando a Chivas Regal diz que é um whisky sério, bem, ela fala com austeridade. A começar pela sua produção. O blend leva em seu coração maltes como Strathisla, Longmorn e Aberlour, e passa por um incomum processo de finalização em em barricas de carvalho europeu que antes contiveram cognac da região da Grande Champagne. Algo raro para single malts, mas ainda mais inusual para blended whiskies. Isso agrega complexidade sensorial ao whisky, trazendo notas vínicas, de caramelo e frutas vermelhas.
Mas nem tudo é sisudez. A própria Chivas encoraja os consumidores a beberem o Chivas XV da forma que quiserem. Inclusive, utilizando-o como ingrediente em coquetéis. “A combinação proporciona o perfil sensorial perfeito para uma ampla variedade de formas de consumo contemporâneas, encorajando os fãs de whisky de aproveitarem seu destilado favorito de uma forma completamente nova – de shots de Chivas XV a coquetéis criados para enfatizar a qualidade e sabor pungente do whisky durante celebrações (…)“, escreve a marca.
Shot, shot, shot!
Mas vamos falar sério. O Chivas XV é um lançamento importantíssimo para a Chivas Regal. Não apenas por ser uma legítima tentativa de rejuvenescer a marca, ou por estampar orgulhosamente sua idade no rótulo quando a tendência mundial é de lançar whiskies sem idade declarada. Mas também por preencher a lacuna de preço que existia entre o Chivas Extra e o maravilhoso Chivas 18 anos.
Sensorialmente, o Chivas XV é delicado e frutado, com álcool discreto e bem integrado. É um blend mais bem acabado e menos agressivo que o Chivas Extra – que, na opinião deste Cão, já é bem interessante. Em comparação com o 18 anos, o Chivas XV é mais frutado e intenso, enquanto o Chivas 18 é mais delicado e sisudo. Em resumo, é um whisky muito bom, e um meio termo interessante entre a irreverência do Extra e a seriedade do Chivas Regal 18.
No Brasil, o Chivas Regal XV foi lançado em meados de junho. E se me permite um conselho – experimente, e experimente rápido. Talvez ele seja apenas cevada maltada, fermentada, destilada, misturada e maturada em barricas. Barricas muito especiais. Barricas capazes de torná-lo muito mais do que apenas cevada maltada e processada. Tipo uma certa bolsa de palha. Pensando bem, não. Aquilo é só uma bolsa de palha. Este, porém, é um belíssimo whisky.
Esse eu entendo.
CHIVAS REGAL XV
Tipo: Blended Whisky com idade definida – 15 anos
Marca: Chivas Regal
Região: N/A
ABV: 40%
Notas de prova:
Aroma: frutado, com frutas em calda e caramelo
Sabor: Delicado, balinha de caramelo, pêssegos em calda, frutas adocicadas. Final médio e com baunilha.
Com água: A água ressalta o frutado, mas torna ele ainda mais delicado.
Disponibilidade: à venda em lojas selecionadas e na Caledonia Store.
Minha relação com a tradicional culinária italiana é uma de amor e, bem, indiferença. Amo tudo que leva frutos do mar e sou apaixonado por risotos. Porém, não ligo muito para pizza. É eu sei, é estranho, porque pizza é tipo Nutella, que, diga-se de passagem, é outra coisa tradicionalmente italiana que eu não tenho o menor carinho.
E quando o assunto são as massas, fico no meio do caminho. Sou indiferente à lasanha. Não gosto muito de molho alfredo e nem quatro queijos. Naturalmente, adoro um marinara e sou alucinado por carbonara. De verdade. E ainda que eu prefira a versão sem creme de leite, não tenho qualquer pós-conceito em relação àquela que leva o ingrediente. Carbonara, para mim, é a perfeição materializada em carboidratos e lipídios.
Com essa gema, então, é quase pornografia.
Por muito tempo, imaginei que o carbonara fosse irretocável. Até que, certa vez, provei uma versão trufada do prato. E aí, meus conceitos de perfeição foram atualizados. Não que eu tenha deixado de gostar do prato original, ou que meu apreço tenha diminuído. Mas senti que havia me apaixonado novamente, como da primeira vez, por aquela maravilha culinária.
O mesmo aconteceu comigo recentemente com o Chivas Regal 18 French Oak Finish, versão exclusiva de Duty-Free do tradicional e maravilhoso Chivas Regal 18. Aliás – não é segredo para ninguém que o Chivas 18 tradicional é um de meus blended whiskies favoritos. Sou apaixonado pelo blend. E me vi redescobrindo esta paixão de uma forma diferente ao provar o Chivas 18 French Oak Finish
De acordo com a marca, o Chivas Regal 18 French Oak Finish “(…) é um blend único, variação do icônico Chivas 18 anos, com suas 85 notas sensoriais diferentes, que é caraterizado por uma finalização muito especial em barris de carvalho francês de primeiro uso.
Ele traz singularidade de barricas produzidas a mão por um time de tanoeiros experientes. Estes barris usam carvalho francês de mais de 150 anos de idade, da região de Limousin, usados para maturar destilados da mais alta qualidade. O time de blenders da Chivas Regal selecionou cuidadosamente somente os melhores destas barricas para finalizar o Chivas Regal 18 anos, e revelar algumas de suas melhores notas características.”
Além da finalização, porém, há outra diferença bastante relevante entre o Chivas 18 French Oak Finish e o padrão. A graduação alcoólica. O Chivas 18 tradicional possui 40%. O French Oak, porém, apresenta um percentual bem mais generoso – 48%. Aí está, na opinião deste Cão, a grande diferença – a finalização traz sim maior pungência de especiarias e frutas. Mas a graduação alcoólica mais alta é o que o torna especial – Ela traz uma intensidade que, talvez, para os paladares mais críticos, faltaria no Chivas 18 de linha.
Ai, é muito delicado pro meu paladar….
O Chivas 18 French Oak faz parte de uma série de lançamentos da marca escocesa exclusivos para Duty Free, que apresentam diferentes finalizações – a chamada coleção “First Fill” – em alusão ao primeiro uso do barril para finalização de um blend, algo bem incomum no mundo do whisky. Além dele, há um American Oak Finish, além de um recém lançado Japanese Oak Finish, finalizado nas concorridas barricas de carvalho japonês, o mizunara.
Se você gosta do Chivas 18 tradicional, e procura um whisky com o mesmo tema mas com mais intensidade, o Chivas 18 French Oak é para você. Aliás, ele é para você mesmo que você tenha reservas com o Chivas 18 tradicional. Ou com Nutella, pizza ou molho branco. O Chivas Regal 18 French Oak Finish é seu prato preferido, com o melhor tempero do mundo.
CHIVAS REGAL 18 FRENCH OAK FINISH (FIRST FILL)
Tipo: Blended Whisky com idade definida – 18 anos
Marca: Chivas Regal
Região: N/A
ABV: 48%
Notas de prova:
Aroma: aroma claramente floral, com baunilha e especiarias.
Sabor: delicado, com frutas em calda, chocolate, e frutas em calda. O final é mais pronunciado e frutado do que do tradicional Chivas Regal 18.
Com água: A agua torna o whisky menos adocicado.
Disponibilidade: Duty Frees de Aeroportos Internacionais
Meu pai uma vez me disse “o espírito pode ser aventureiro, mas o intestino é sempre gregário.” Fora de contexto, tinha apenas uma rasa ideia do que ele queria dizer. Mas, depois de um voo de dez horas para os Estados Unidos, nada confortavelmente encaixado no assento do meio da fileira do meio, pude contemplar, com toda plenitude, a sabedoria emanada por meu progenitor.
Escolher seu assento com base em seu acesso ao banheiro de uma aeronave é quase um teste de personalidade. Há dois tipos de pessoas. Aquelas desinibidas, que se sentam no meio e que não ligam de pedir licença às sonolentas para se aliviar. E aquelas que preferem as pontas e o acesso livre aos lavatórios – e que não tem qualquer apego às suas rótulas ou horas de sono.
Na verdade, há outro tipo. Eu. Que mal consegue dormir e que é tímido demais para acordar alguém somente para atender àquele proverbial chamado da natureza. Prefiro aguentar sentado, com sono e apertado, do que percorrer todo o processo até chegar ao banheiro do avião somente para descobrir que meus confrades viajantes não tem muitos hábitos higiênicos.
Inveja da coragem dessas pessoas (fonte: passangershaming.com)
Assim, sempre que chego ao meu destino, seja ele qual for, me vejo em um enorme dilema. Ir ao banheiro ou ao Duty Free. É uma batalha acirrada, entre a natureza e o entusiasmo. Afinal, o Duty Free possui whiskies exclusivos, muitas vezes raros e excelentes. E escolher entre eles leva tempo – tempo este difícil de negociar com meu sistema digestivo.
Então, pensando no bem estar intestinal de todos aqueles meus leitores que passam o mesmo perrengue que eu, preparei uma lista. Uma lista com as melhores compras de Duty-Free desta temporada. Assim, você economizará preciosos momentos que poderão ser usados para fazer coisa melhor.
Sinto-me na obrigação, entretanto, de fazer uma ressalva. Os whiskies aqui apresentados exigiram alguma dedicação para que fossem reunidos e provados. O duty-free brasileiro não cooperou: apesar de apresentar disponibilidade de certos rótulos no site, a informação não condizia com a realidade. Foi preciso recorrer a familiares e amigos, que viajaram em diferentes datas, e um certo grau de sorte, para consegui-los(em Guarulhos, o Terminal 3 possuía apenas o Chita e Glenlivet. Na outra, apenas o The Macallan. O Terminal 2 carregava o Port Charlotte e o Chivas.)
CHIVAS REGAL 18 ANOS FRENCH OAK FINISH
O que pode ser melhor do que um dos melhores blended whiskies ultra-premium do mercado? Bem, o mesmo blend, mas com graduação alcoólica superior (48%), e finalização em barricas de carvalho europeu. É justamente isto que o Chivas 18 French Oak Finish é.
De acordo com a marca “(…) é um blend único, variação do iconico Chivas 18 anos, com suas 85 notas sensoriais diferentes, que é caraterizado por uma finalização muito especial em barris de carvalho francês de primeiro uso.
Ele traz singularidade de barricas produzidas a mão por um time de tanoeiros experientes. Estes barris usam carvalho francês de mais de 150 anos de idade, da região de Limousin, usados para maturar destilados da mais alta qualidade. O time de blenders da Chivas Regal selecionou cuidadosamente somente os melhores destas barricas para finalizar o Chivas Regal 18 anos, e revelar algumas de suas melhores notas características.”
O preço desta perfeição melhorada? US$ 122,00 (cento e vinte e dois dólares).
THE GLENLIVET MASTER DISTILLER’S RESERVE SMALL BATCH
O Glenlivet Master Distiller’s Reserve Small Batch é o mais sofisticado dos maltes da linha Master Distiller’s Reserve da The Glenlivet, vendida exlcusivamente no travel retail. Além dele, há a versão de entrada, o Master Distiller’s Reserve original, e uma versão intermediária, que parte da maturação ocorre numa solera vat – um enorme tanque de madeira, que nunca é totalmente esvaziado.
A maturação do Glenlivet Master Distiller’s Reserve Small Batch acontece em barricas de carvalho americano de ex-bourbon, carvalho europeu de ex-jerez e – pausa dramática para algo bem inusual – barricas de carvalho virgens. O tipo de carvalho destas últimas não é divulgado, porém, este Cão suspeita que seja europeu. É um single malt sofisticado, mas ao mesmo tempo sensorialmente acessível e adaptável para qualquer situação. E um belíssimo presente – por US$ 150,00 (cento e cinquenta dólares) – se encontrar.
MACALLAN CONCEPT ART 1
Não fosse o whisky tão bom e a embalagem tão bonita, poderia, talvez, dizer que este lançamento da The Macallan está no limite da pretensão.
O Macallan Concept é o primeiro de uma série de whiskies que “combinam a paixão por produzir whisky com a paixão dos visionários – indivíduos confiantes, sofisticados que desafiaram o status quo com perspectivas e ideias inovadoras.” De acordo com a destilaria, o whisky foi inspirado no surrealismo visto por meio das lentes dos seis pilares da The Macallan. O resultado seria um produto que “vai além das fronteiras tradicionais dos processos de seleção de barricas“
Surreal, na opinião deste canídeo, é esse papo da The Macallan. Mesmo porque o Concept é maturado em barris de primeiro uso de carvalho europeu de ex-jerez e carvalho americano de ex-bourbon, algo bem comum no mundo dos maltes. Na verdade, ele passou do limite da pretensão. Mas a gente perdoa, porque, como eu disse, o whisky é bom demais, e a garrafa é linda, então até a gente se sente um pouquinho pretensioso bebendo ele. Um brinde!
O preço da obra de arte líquida é US$ 110,00 (cento e dez dólares)
PORT CHARLOTTE CC:01
Defumado, cask strength com 57,8% de graduação alcoolica, finalizado em barris de conhaque. Precisa falar mais alguma coisa? Bem, a Bruichaddich, que produz o whisky, acha que sim.
“Como com todo Port Charlotte, o ponto de partida é um destilado elegante e intrigante. Cevada de procedência excepcional, defumada e fortemente turfada é combinada com nossa destilação vagarosa, gota-a-gota, entregando força com elegância. Aqui, este fascinante destilado foi maturado inteiramente em barricas do melhor carvalho francês (quercus robur). Estas barricas previamente continham algumas das melhores Eau de Vie da região oeste de de Cognac.“
Obrigado, Bruichladdich, mas eu já estava convencido no primeiro parágrafo. O preço, entretanto, é tão salgado e enfumaçado quanto o whisky US$ 161,00 (cento e sessenta e um dólares)
SUNTORY THE CHITA
Este é um whisky duplamente interessante. Primeiro, por ser japonês. Pela simples razão de sua nacionalidade, o Chita, produzido pela Suntory, já merece atenção. Afinal, nos últimos anos, uma horda ensandecida de entusiastas sublimou os whiskies japoneses das prateleiras das lojas. Além disso, o The Chita é um single grain whisky – algo bem incomum mesmo para padrões escoceses.
De acordo com a marca “(…) a destilaria Chita está situada no litoral calmo e enevoado da peninsula de Chita. Por meio de um processo raro de destilação contínua utilizando dois, tres ou quatro colunas, a destilaria utiliza principalmente milho para produzir três tipos diferentes de grain whisky – delicado, médio e pesado“
O preço é tão amigável quanto o whisky – aproximadamente US$ 60,00 (sessenta dólares), sujeito a disponibilidade.
O mundo do whisky é bem pretensioso. Afinal, há poucas coisas mais pedantes do que dizer que certo líquido possui aromas que evocam memórias bucólicas de campos salpicados de urze. Mas há algo que consegue ultrapassar facilmente a prepotência do whisky. As artes plásticas. Especialmente a arte moderna e contemporânea.
É natural, na verdade. A maior parte da arte não é verbal – exceto por alguma videoarte, da qual nutro uma relação que pendula entre o desprezo e a ignorância. E, por conta disto, traduzir o significado de um signo não-verbal para o mundo enunciado, muitas vezes, é um exercício extenuante. Extenuante e presunçoso. De todos os lados. Dizer que entende o conflito psicológico de Pollock ao contemplar sua obra é tão pretensioso quanto dizer que seu filho faria um quadro igual. Não há rota de emergência – a arte é pretensiosa.
E nessa pedante escala de pretensão – talvez em um dos mais pretensiosos posts deste soberbo blog – há um Megazord da afetação – um whisky que se inspira no mundo da arte. O Macallan Concept No. 1 – Art. Se você não acredita em mim, deixe-me traduzir, com frugalidade, o que está transcrito no verso do estojo que acompanha a garrafa.
Pois é, Danny
“O primeiro da série, o Macallan Concept No. 1 foi inspirado no mundo da arte surrealista. Imaginado através das lentes dos Seis Pilares da The Macallan, nossa interpretação do surreal junta a imaginação e o idealismo para criar um mundo de whisky fantástico, sensorial, onde qualquer e tudo é possível. O The Macallan Concept No. 1 é um manifesto de nossa continua busca por excelência – uma que atravessa as barreiras tradicionais de produção e seleção de barricas para maturação“
E continua “criado a partir de whiskies maturados primeiro em barricas de ex-jerez e, depois, por tempo igual, em barris de ex-bourbon, o Concept No.1 é um whisky criado para a explorar a maturação de forma mais imginativa. Trazendo características notas de frutas cítricas e gengibre, é um destilado que combina uma paixão inabalável pelo whisky com uma maestria infalível, incentivada por escolhas sofisticadas e destmidas ”
Surreal, na opinião deste canídeo, é esse papo da The Macallan. Porque, afinal, não há nada de muito inovador no processo de maturação do Concept No. 1. Ela acontece em barris de primeiro uso de carvalho europeu de ex-jerez e carvalho americano de ex-bourbon, algo bem tradicional no mundo dos maltes. As diferenças – conjunturais, na opinião deste cão – é a inversão da ordem (normalmente, a maturação em ex-bourbon ocorre antes) e o emprego de uma técnica que poderia ser considerada uma finalização pela The Macallan, talvez pela primeira vez.
Eu desisto.
Mas há algo a ser considerado. É que apesar de toda pretensão – e como acontece com muitas obras de arte – o The Macallan Concept No. 1 é bem bom. É um whisky equilibrado e oleoso, que traz o dulçor e caramelo do bourbon bem balanceados com o vínico apimentado do carvalho europeu de ex-jerez. Há, talvez, uma certa juventude lá. Mas ela está bem escondida – quase um quadro sobre um quadro.
E, por conta disso, por ser tão bom, a gente nem acha o The Macallan Concept No. 1 tão pretensioso assim. Sua garrafa e estojo – de um verde piscina bem bonito – contribuem para essa impressão. No final das contas, o Macallan Concept No. 1 é como certa obra de um grande artista. Até pode ter ultrapassado o limite da pretensão. Mas é tão bom, mas tão bom, que a gente até se sente um pouquinho pretensioso bebendo ele.
THE MACALLAN CONCEPT NO. 1
Tipo: Single Malt sem idade definida
Destilaria: Macallan
Região: Speyside
ABV: 40%
Notas de prova:
Aroma: caramelo, baunilha. Há um claro aroma vínico, que lembra vinho fortificado. Equilibrado e agradável
Sabor: Caramelo, baunilha e mel, que, aos poucos, revela especiarias, pimenta do reino e taninos. Finalização longa e vínica.
Clichê. Um vício de linguagem. Uma expressão que, de tão usada, se esvaziou. Tornou-se comum, corriqueira, banal. Normalmente, fujo dela como o diabo foge da cruz ao escrever as matérias deste blog. Mas, dessa vez, vou deixar a caneta correr solta.
É que Woody Allen disse que, às vezes, a melhor forma de explicar algo é por meio de um cliché. E é justamente isso que farei hoje. Porque tem muita água que passarinho não bebe bem cliché por aí. Esses, ordinários mesmo, com aquele sabor meio genérico. Caramelo, baunilha, malte.
Agora, quase tão difícil quanto desviar do lugar comum, é chutar o balde e abraçá-lo. Mas agarrar com unhas e dentes, matar a cobra e mostrar o pau – claro, o mesmo usado para tirar a vida do proverbial réptil, e não outra coisa que você pode ter pensado. Enfim, fazer nas coxas é fácil. Difícil é fazer bem feito, e de olhos fechados.
E é justamente isso que o Arran Lochranza Reserve, expressão que acaba de desembarcar no Brasil é. Um cliché. Mas um cliché extremamente bem feito. Desses, que dá vontade de entornar o caneco. Seja para beber andando nas nuvens, ou com atenção, é um whisky simples, mas simplesmente excelente.
Seu nome é uma homenagem à vila localizada na ilha de Arran, que possui a impressionante população de, aproximadamente, duzentas pessoas. Como você pode ter previsto, é lá que se localiza a destilaria que produz o single malt tema desta prova. No vilarejo há também um conhecido castelo do século dezesseis – homônimo da vila.
Lochranza Castle (fonte: aboutbritain.com)
O Arran Lochranza Reserve anos é a expressão de entrada da Arran, uma das mais jovens destilarias da Escócia – fundada em 1993 e com produção iniciada em 1995. Apesar da pouca idade, porém, ela descascou o abacaxi, e hoje possui um portfólio bastante extenso de whiskies. Há expressões com perfis de sabor bem diferentes. Do defumado Machrie Moor ao vínico Arran 18, passando pelo insano cask strength The Bothy, a Arran provou que sabe fazer whisky com uma mão nas costas – uma verdadeira destilaria polivalente.
Em relação à maturação, a Arran não comeu cru nem quente. O Arran Lochranza Reserve envelhece predominantemente em barricas de carvalho americano que antes contiveram bourbon whiskey. Depois, é brevemente finalizado em barricas de carvalho europeu de ex-jerez. Isso lhe traz um sabor frutado, com caramelo e baunilha, que combina perfeitamente com o caráter maltado de seu new-make spirit. E apesar da pouca idade, o whisky tem o álcool muito bem resolvido, com a madeira relativamente presente.
Barris na Arran
E se você é daquele tipo de entusiasta, saiba que Arran Lochranza Reserve coloca as cartas na mesa. Não é filtrado a frio – o que evita que certos compostos responsáveis por sabores sejam retirados do whisky – e não há a adição de corante caramelo, para padronização de cor. Realmente, com a Arran, não tem conversa fiada.
No Brasil, uma garrafa do Lochranza Reserve custa algo próximo de R$ 210,00 na Single Malt Brasil, sua importadora oficial. Por este preço, é um negócio da China. Quero dizer, da Escócia. Então, meu caro leitor sem encher mais linguiça, te aconselho a não marcar touca ou dormir no ponto. Corra ou – perdão pelo décimo nono clichê deste texto – você pode ficar a ver navios.
ARRAN LOCHRANZA RESERVE
Tipo: Single Malt sem idade declarada (NAS)
Destilaria: Arran
Região: Higlands (Islands)
ABV: 43%
Notas de prova:
Aroma: frutado, com compota de fruta, limão siciliano.
Sabor: frutado e salgado. Final levemente cítrico, com baunilha e malte.
Com água: a água ressalta as notas frutadas.
Preço: aproximadamente R$ 210 (duzentos e dez reais), à venda na Single Malt Brasil.
A História está eivada de mitos. De imprecisões, versões, suposições. E a história do bourbon whiskey não foge à regra. Frequentemente relacionada àquela era do oeste selvagem e dos heróicos cowboys que enfrentavam animais selvagens e indígenas hostis, o whiskey americano evoca tradição, personalidade e destemor.
No entanto, a história real está bem longe do mito. E nem mesmo um homem de Deus – reverenciado por ser alegadamente o criador do bourbon whiskey – é exceção. Diz-se que Elijah Craig, um pastor batista, educador e exímio capitalista, fora o primeiro a destilar mosto de milho e armazená-lo em barris tostados, na Virgínia, numa região que mais tarde se tornaria o Kentucky.
Reverendo
Muitos historiadores americanos, porém, discordam. Elijah teria primeiro produzido um embrião de bourbon em 1789. Mas haveria registros de destilação naquela região desde meados do século XVIII. A lenda de Elijah, porém, se tornou mais conhecida e prevaleceu, na cultura popular, sobre qualquer verdade. Provavelmente por conta da notoriedade do reverendo Craig.
Mas, também, em grande parte, isto se deu por conta de um bourbon whiskey produzido pela destilaria Heaven Hill, do Kentucky. O Elijah Craig 12 Years Bourbon, e sua expressão mais jovem, o Elijah Craig Small Batch – que este Cão teve a oportunidade de provar em um evento com Fabio Lobosco no Cateto Pinheiros. E que, como sugere o título, é o tema deste drops.
Da de acordo com a Heaven Hill – produtora do Elijah Craig Small Batch – a história do bourbon foi um acidente. O pastor Elijah produzia moonshine na sua fazenda e armazenava em barris estanques, sem qualquer tratamento. Até que, certo dia, aconteceu um incêndio, e parte de seus barris foram convenientemente tostados.
Mas, para a surpresa geral até das leis da física, continuaram capazes de guardar o precioso líquido destilado e – graças à torra – transferir sabor para a bebida. Como a coisa toda não explodiu em uma enorme bola de fogo, não me pergunte. A história tem seus mistérios.
Aliens!
Ainda segundo a Heaven Hill, o Elijah Craig Small Batch é feito em lotes de 200 barricas ou menos. Ele é uma espécie de demonstração de força da destilaria. Mesmo conhecida por fazer whiskeys menos sofisticados, a Heaven Hill provou ao mercado que conseguiria, também, criar um produto premium.
A mashbill do Elijah Craig Small Batch é de 75% milho, 13% centeio e 12% cevada maltada. Sensorialmente, o whiskey traz nozes, frutas e um adocicado de laranja com baunilha, bem interessante. O álcool é bem integrado e o final longo e adocicado.
Infelizmente, não há importação do Elijah Craig para o Brasil. Porém, há outros produtos da destilaria em nosso país, como o famoso Evan Williams. E talvez, com um pouquinho de sorte, um pouquinho de fé e algumas preces – algo também utilizado pelo reverando Elijah – este incrível bourbon desça em nossas terras.
ELIJAH CRAIG SMALL BATCH BOURBON
Tipo: Bourbon whiskey
Destilaria: Heaven Hill
Região: N/A
ABV: 47%
Notas de prova:
Aroma: caramelo, açúcar mascavo, pimenta, baunilha. Um pouco de couro, talvez?
Sabor: baunilha, açúcar mascavo. Calda de açúcar queimada. Final longo, com especiarias e baunilha
Eu sei, é apenas mais uma convenção social. Apenas uma grande conspiração da industria e do comércio para coagi-lo a gastar mais dinheiro. Eu concordo com você, e eu sinto a sua dor. Não é porque estou aqui listando ideias de regalos para sua melhor metade, que sou conivente com esta data chantagista que é o dia dos namorados. O dia dos namorados realmente é desesperador.
E fica pior. Os restaurantes ganham filas de espera de três horas. O trânsito trava. Todo mundo manda mensagens públicas nas redes sociais que me fazem ter vontade de vomitar um arco-íris. Tudo fica rosa, vermelho e pink. E, claro, o outro lado da moeda – a oportunidade concedida aos solteiros de exaltar ou reclamar da solteirice.
Mas apesar de tudo isso, tudo isso mesmo, o Dia dos Namorados é uma data importante. Tudo bem que ela podia ser qualquer dia aleatório do ano. Ela é, porém, uma oportunidade dada a você, querido leitor ou leitora, de demonstrar como sua melhor metade é importante para você. De mostrar que você a entende e conhece. Aprecia seus gostos, compactua com suas paixões.
Assim, se você tiver um par tão apaixonado por whisky quanto este Cão – ou talvez um pouco menos, num nível saudável – nada mais oportuno do que reconhecer esta paixão. Aí vão quatro ideias de presentes para o dia mais pegajoso do ano. O Dia dos Namorados.
CHIVAS REGAL XV
O Chivas Regal XV acaba de chegar ao Brasil. Então, para seu par que está na vanguarda da manguaça, não há alternativa melhor. Mas não é só. No coração do Chivas XV há maltes como Strathisla, Longmorn e Aberlour. Além disso, o blend passa por um incomum processo de finalização em em barricas de carvalho europeu que antes contiveram cognac da região da Grande Champagne. Isso sim que é sofisticação despojada.
Então, vamos recapitular. Novidade, coração, cognac da região de Champagne. Nada líquido poderia combinar mais com o dia dos namorados. A venda na loja oficial da marca, aqui.
GLENCAIRN “KEEP CALM AND HAVE A DRAM”
Um relacionamento é feito de muitas coisas. Amor, cumplicidade e carinho. Mas também – em algumas situações raras, claro – de paciência. E se a paciência vier acompanhada de uma dose de whisky, então, melhor ainda. É para estes momentos que o Glencairn Glass “Keep Calm and Have a Dram” (“mantenha-se calmo e tome uma dose”) é perfeito.
Este verdadeiro recipiente de paciência líquida é também o copo oficial para degustação de whiskies, usado no mundo todo. À venda no Brasil em sua importadora oficial, a Single Malt Brasil.
GLENLIVET 15 ANOS
Se a paixão de sua paixão for single malts, o Glenlivet 15 anos é perfeito. É um whisky complexo, mas ao mesmo tempo sensorialmente bastante acessível. Possui notas de caramelo, baunilha, taninos e especiarias. Este perfil de sabor é obtido pelo emprego de barricas virgens de carvalho europeu em sua finalização (num processo chamado Selective Maturation), algo bem incomum na industria do scotch whisky. Com um presente desses, a única coisa que poderia permanecer virgem são os barris. Tunts.
Este é um single malt para paixões intensas. Intensas por whisky. O Machrie Moor Cask Strength possui 56,2% de graduação alcoólica – a mais alta dentre os whiskies à venda no Brasil. E seu aroma é predominantemente defumado e remete a bacon e pimenta do reino.
Se seu par é do tipo que coloca pimenta até na sobremesa, acha que o bacon sempre podia ser um pouquinho mais defumado ou acha que tem muito gelo na caipirinha, o Machrie Moor Cask Strength é o presente perfeito. À venda em sua importadora oficial, a SMB.
Avanti. Não, não a expressão em italiano. Mosler. SSC. Hennessey. Não, não o conhaque. Os carros. Se você não for um completo obcecado por automóveis, há uma bela chance de jamais ter ouvido falar de alguma – ou qualquer uma – dessas marcas. Mas não precisa ficar com vergonha. Elas são obscuras mesmo. Produzem carros de performance para um nicho de entusiastas e não são muito conhecidas do público leigo. O contrário, por exemplo, de Ferrari e Lamborghini.
Ferrari e Lamborghini são tão conhecidas que qualquer pessoa, mesmo que jamais tenha pilotado qualquer um deles – meu caso – quando indagadas, demonstrarão preferência. É uma rivalidade clássica. Uma rivalidade, aliás, que vai muito além de gosto. A contenda entre Lamborghini e Ferrari, que se estende até os dias atuais, é histórica. Vou contar pra vocês.
Na década de 1960, as Ferraris eram o máximo em automóveis esportivos de luxo. Tanto é que um tal de Ferruccio Lamborghini – um rico proprietário de uma mecânica de tratores – possuía uma. Mas Ferruccio não estava satisfeito. Seu vasto conhecimento em mecânica, adquirido durante a segunda guerra mundial e seu negócio de tratores, apontava que havia espaço para melhora naquelas incríveis máquinas. E como todo entusiasta meio sem noção, Ferruccio resolveu que seria uma boa ideia apontar estes erros para o presidente da companhia – Enzo Ferrari.
Acontece que Enzo não ficou muito satisfeito com as críticas de alguém que, em sua concepção, não passava muito de um mecânico de máquinas rurais. E com a delicadeza de um trator, mandou o mecânico ir, proverbialmente, carpir um lote. Ferruccio, inconformado, decidiu desafiar a Ferrari e produzir um automóvel esportivo melhor do que aquele que havia comprado. Assim nascia a Lamborghini – que, até os dias de hoje, é constantemente comparada com a marca de Enzo. Carros com propósitos e público semelhantes. Mas, em seu coração, essencialmente distintos.
Pra carpir o lote com sofisticação.
Uma batalha parecida com esta poderia ser travada entre dois blended scotch whiskies muito queridos no Brasil. O Chivas 18 anos e o Ballantine’s 17. Assim como Ferrari e Lamborghini – aplicadas as devidas adaptações para o mundo do whisky – são dois blends super premium com perfil sensorial e preço semelhantes, que costumam ser frequentemente comparados entre entusiastas e apreciados da melhor bebida do mundo.
Mas não é apenas o perfil de sabor dos whiskies que é parecido. A batalha é, na verdade, quase um braço de ferro entre irmão – algo que talvez acirre ainda mais a animosidade. É que tanto o Ballantine’s 17 quanto o Chivas 18 pertencem à Pernod-Ricard, multinacional francesa também responsável por single malts como The Glenlivet, Aberlour e Strathisla, a vodka Absolut e o conhecido – e delicioso – gim Beefeater.
O coração do Chivas 18 anos é o single malt Strathisla, que lhe empresta um claro perfume floral e frutado, comparável a jasmim. Além dele, o blend emprega uma boa quantidade de Longmorn, além de uma discreta quantidade de um single malt de Islay, que não é divulgado. Ao todo, o Chivas Regal 18 é uma mistura de algo entre dez e sessenta single malts e grain whiskies (o número real é um segredo muito em guardado), todos eles maturados por, no mínimo, dezoito anos em barricas de carvalho. O blend foi elaborado por Colin Scott, master blender da Chivas Regal.
A Strathisla
Já o Ballantine’s 17 anos possui, em sua base, os maltes das destilarias Scapa, Glenburgie, Miltonduff e Glentauchers. É uma combinação interessante, que une um whisky delicado e mineral – Scapa – a whiskies secos e adocicados da mainland escocesa. Além, claro, de whisky de grão e proporção menor de whiskies de outras destilarias. Atualmente, o master blender responsável por ele é Sandy Hysop, que possui mais de trinta anos de experiência como blender.
Colocados lado a lado, o Chivas 18 é mais floral e delicado. O Ballantine’s 17, por sua vez, traz mais dulçor, e é mais frutado e intenso. Em ambos os casos, o álcool é extremamente bem integrado – graças à longa maturação do grain whisky, que costuma levar mais tempo para ter sua pungência atenuada. O sabor residual do Chivas 18 é mais longo e floral, enquanto que o Ballantine’s 17 começa doce e torna-se progressivamente seco. Ainda que possuam perfil de sabor semelhante, Ballantine’s 17 e Chivas Regal 18, quando colocados lado a lado, se mostram bem distintos.
Escolher um ou outro, como tudo na vida, é uma questão de gosto. E ainda que este Cão tenha uma leve propensão pela criação de Colin Scott (leia mais sobre isso aqui) a verdade é que o Ballantine’s 17 anos e Chivas 18 são dois dos melhores blended whiskies super-premium à venda em nosso país. Independente de sua preferência, e ainda que sua preferência seja por single malts, é quase impossível não gostar deles. São blends que entregam complexidade, personalidade e drinkability como poucos. Porque, afinal, entre Ferrari e Lamborghini, qual a melhor? A que eu tiver a oportunidade de dirigir, é óbvio.
BALLANTINE’S 17 ANOS
Tipo: Blended Whisky com idade definida (17 anos)
Marca: Ballantine’s
Região: N/A
ABV: 40%
Notas de prova:
Aroma: adocicado, mel, especiarias e um pouco de fumaça.
Sabor: Adocicado no início e progressivamente frutado, final médio, com um pouco de fumaça e vinho fortificado.
Com Água: Água torna o whisky mais adocicado e ressalta a fumaça.
CHIVAS REGAL 18 ANOS
Tipo: Blended Whisky com idade definida – 18 anos
Marca: Chivas Regal
Região: N/A
ABV: 40%
Notas de prova:
Aroma: aroma claramente floral, com baunilha. Adocicado, com defumação muito, muito discreta.
Sabor: extremamente suave, com frutas em calda, chocolate, baunilha e um pouco de especiarias. É um whisky menos agressivo do que o Chivas Regal Extra, ainda que igualmente complexo.
Com água: A agua torna o whisky menos adocicado. É um blended whisky que funciona melhor sem gelo.
Sob o céu noturno desanuviado, do ducentésimo andar de um prédio de ferro e vidro, observava o trânsito. Dezenas de milhares de pares de luzes, formando enormes cordões iluminados. Alguns brancos. Outros, vermelhos, De lá de cima, até o caos do tráfego fica bonito. Deve ter a ver com esse silêncio contemplativo proporcionado pelo espesso vidro antirruído. Ou é isso, ou é a taça em minha mão. Meia dose do Chivas Ultis
Aquela era a primeira vez que provava o whisky. E não poderia haver oportunidade mais perfeita. Estava no escritório da Chivas, em São Paulo, a convite da Difford’s Guide. E ainda que a coquetelaria fosse a estrela da noite, minha atenção se voltou quase que instintivamente àquele Ultis – provavelmente o mais importante recente lançamento da marca escocesa.
O Chivas Regal Ultis é o primeiro blended malt da famosa marca escocesa. Em seu coração estão single malts de apenas cinco destilarias, pertencentes ao grupo Pernod-Ricard. Allt A’Bhaine, Braeval, Longmorn, Tormore e, claro, a magnífica Strathisla, lar espiritual da Chivas Regal. Por ser um blended malt, não há o emprego de whisky de grão. A utilização de apenas cinco maltes em sua composição é uma homenagem aos cinco master blenders que passaram pela Chivas Regal – dentre eles, o criador do Ultis, Colin Sott.
Não, o Javier não é um deles.
Nas palavras da Chivas “desde 1909, apenas cinco homens dominaram o estilo da casa Chivas Regal, e o Ultis presta homenagem a esta força de visão, comprometimento e domínio pelos Master Blenders da marca. O Chivas Regal Ultis é um whisky de luxo, com sabores complexos, coloração dourada e um aroma poderoso e rico, fazendo-o perfeito para celebrar o sucesso compartilhado com amigos.
Dos milhões de barris no estoque dos Chivas Brothers, apenas 1% foi selecionado a mão pelo time de blenders para criar o Chivas regal Ultis. Este método tradicional de avaliar individualmente cada barrica garante a qualidade superior do blend. O processo de destilação ocorre exclusivamente em alambiques de cobre, capturando a essência do caráter generoso e suave, característico da Chivas Regal. “
Se você for um whisky-geek e observar atentamente, há um ponto curioso sobre a fórmula do Ultis. Ocorre que blended malts costumam levar em seu coração whiskies de regiões diferentes da Escócia. A ideia é que estes whiskies, com diversos perfis sensoriais, quando combinados, criem equilibrio e complexidade. Um exemplo clássico é o Johnnie Walker Green Label, que leva os defumados Talisker (da ilha de Skye), e Caol Ila(de Islay) e os frutados Craggranmore e Linkwood (ambos, de Speyside).
Mas o Ultis é uma exceção a essa regra. Todos os maltes de sua receita provém da região de Speyside, e possuem perfil sensorial semelhante. Pode parecer quase uma escolha equivocada, mas, na verdade, é um enorme acerto. O Ultis, nesse sentido, se distancia de um blend padrão – que procura agradar pela diversidade sensorial – e se aproxima de um single malt. Ao invés de trazer um pouquinho de tudo, o Ultis aposta na complexidade de um único perfil de sabor. Um frutado amadeirado, aliás, bem caraterístico dos Longmorn.
Se você – assim como este Cão – é um admirador dos whiskies da Chivas Regal, ou se procura algo com aquele perfil sensorial, mas um pouco mais intenso, o Ultis é seu whisky. É um blend que torna qualquer oportunidade que se pode prová-lo como perfeita.
CHIVAS REGAL ULTIS
Tipo: Blended Malt sem idade declarada (NAS)
Marca: Chivas Regal
Região: N/A
ABV: 40%
Notas de prova:
Aroma: frutado, com mel, nozes e uma certa baunilha.
Sabor: Mais intenso do que a maioria dos Chivas. Frutas em calda, mel, panetone. Final frutado com baunilha discreta. Malte.