Drops – Royal Salute Eternal Reserve

O meu tem dez. Ah, já o meu tem quinze. Coitados, o meu aqui tem vinte e um. Nossa, vinte e um só – o meu é infinito. Pode parecer brincadeira de moleque. Mas é, na verdade, um dos mais recentes lançamentos da Royal Salute, marca super-premium de blended whisky escocês. O Royal Salute Eternal Reserve. Cuja idade – apesar do sugestivo “eternal” – na verdade, é de 21 anos. Mas que leva whiskies cada vez mais maturados em sua mistura.

A ideia por trás do Royal Salute Eternal Reserve é bem simples, na verdade. Nas palavras da Royal Salute “A primeira criação do Royal Salute The Eeternal Reserve começou com a preparação de 88 barricas de whiskies incrivelmente raros e preciosos, todos com idade superior a vinte e um anos.

Estes whiskies foram cuidadosamente selecionados utilizando dois critérios. Primeiro, que cada whisky possuísse um final excepcionalmente longo, e que poderia se estendido posteriormente mediante um processo de blending e harmonização e, em segundo, que os whiskies escolhidos pudessem ser maravilhosamente harmonizados em cada novo lote e ainda mantivessem seu estilo próprio para sempre

Uma vez selecionados, os preciosos whiskies foram blendados, e depois harmonizados em 88 barricas no Royal Salute Vault por seis meses. Este blend original é então misturado com outras 88 barricas de whiskies precioso, excepcionalmente maturados, par completar o primeiro lote.

Antes do engarrafamento deste lote, nosso grupo de especialistas reserva uma parte do blend, devolvendo-o para as 88 barricas originais, de forma que sirvam de base para o próximo lote. Estas 88 barricas são sempre guardadas na Royal Salute Vault na destilaria de Strathisla. Cada vez que um novo lote é produzido, o mesmo processo – a circulação das 88 barricas – é repetido; os whiskies das 88 barricas do lote anterior são adicionados ao novo blend para o próximo lote.

E não é que o tal vault existe?

Se você excluir certos adjetivos e hipérboles, como excepcionalmente, excepcional, maravilhosamente e preciosos, verá que o método é muito semelhante àquele de solera, bastante utilizado por certos vinhos jerez, em que parte do blend de um lote anterior é misturado ao próximo lote. A ideia é que uma pequena fração do lote original sempre esteja presente nos futuros lotes, devido às sucessivas misturas.

Na prática, essa técnica traz uma certa consistência ao whisky, evitando que existam diferenças muito sensíveis entre um e outro lote. Além disso, apelas para um lado emocional. Imagine que, daqui duas dezenas de anos, uma pequena parcela dos whiskies presentes no blend terá descansado por esse tempo nas oitenta e oito barricas. O que significa que parte dele será composto por whiskies com mais de quarenta anos de idade.

Sensorialmente, o Royal Salute Eternal Reserve é um whisky bem leve e pouco oleoso, bastante frutado, com mel, caramelo e baunilha. O álcool é perfeitamente integrado e pouquíssimo agressivo. Se você gosta de whiskies leves e frutados, ou é um absoluto apaixonado pela Royal Salute, deve experimetnar o Royal Salute Eternal Reserve. Você ficará eternamente apaixonado.

ROYAL SALUTE ETERNAL RESERVE

Tipo: Blended Whisky com idade definida – 21 anos (é gente, não é eterno)

Marca: Royal Salute

Região: N/A

ABV: 40%

Notas de prova:

Aroma: Frutado, com baunilha e caramelo.

Sabor: Como seu irmão 21 anos de linha, é um whisky adocicado, com mel e frutas secas e frescas. Final médio, com baunilha e alcaçuz. Álcool pouquíssimo aparente.

 Preço: em torno de US$ 180 (cento e oitenta) dólares.

Drink do Cão – Blackthorne

Às vezes as coisas precisam apenas ser resgatadas para alcançarem o sucesso. Foi o que pensei, após assistir o filme The Disaster Artist, dirigido pelo ator James Franco. The Disaster Artist conta a história de outro filme, por muitos considerado o pior do mundo. The Room, escrito e dirigido por um curioso indivíduo chamado Tommy Wiseau. O filme de Franco – que é bem legal – me deixou genuinamente curioso para assistir àquele de Wiseau. E eu não fui o único. A internet está povoada de relatos de pessoas que viram este depois daquele.

E olha, eu não poderia afirmar que The Room é o pior filme do mundo, porque eu não vi todos os filmes do mundo. Mas vou te garantir que ele é bem ruim. A pior parte é o roteiro. O roteiro não faz o menor sentido. Sabe, a próxima informação que vou passar vai parecer meio aleatória. Mas enfim. Aqui em casa a gente tem um gato, e às vezes eu noto que ele me olha meio angustiado quando estou fazendo algo que ele não entende a razão, como tomando banho ou escovando os dentes. Acho que se o gato em algum momento ficasse mais inteligente e resolvesse dirigir um filme, ele provavelmente faria algo como The Room ao tentar reproduzir o comportamento humano.

Um panda gorfando um arco-íris em um soldado. Faz mais sentido do que The Room.

De certa forma, eu já esperava uma película desastrosa, mas também achava que poderia haver alguma qualidade redentora. Não há. Tudo é horrível. Mas não para os padrões normais de horrível. The Room é horrível especial. Tão ruim que apesar de seu fracasso de bilheteria, anos mais tarde, ganhou status de “cult”. Em boa parte, por conta da internet, que se regojiza com qualquer coisa inacreditavelmente ruim, e do filme de James Franco. The Room foi resgatado do oblívio – onde, aliás, ele deveria ter ficado – e tornou-se um ícone trash.

Algo bem parecido aconteceu com um coquetel. O Blackthorne. Sua primeira aparição foi em 1900, no Bartender’s Manual de Harry Johnson. Depois, o drink figurou também no livro Cocktails, How to Mix Them, de Robert Vermeire, publicado em 1922. A receita do Blackthorne – que naquela época se chamava Blackthorn, sem o elegante “e” no final – de Johnson e Vermeire levava partes iguais de vermute e whiskey irlandês, além de dashes (sacodidelas) de absinto e bitters. Um coquetel desinteressante e desequilibrado, fadado ao esquecimento.

Porém, Gary Regan, em seu The Joy of Mixology de 2003 resolveu resgatar o drink. E com duas alterações relativamente simples, o transformou em um que merece lembrança. Regan aumentou a proporção de whiskey irlandês – de forma que a base se sobressaísse um pouco mais – e substituiu os dashes de absinto por um wash da taça. Aproximando-o de algo conhecido – um Manhattan – Regan garantiu sobrevida ao marginalizado Blackthorn. Que  ainda ganhou um “e” no final para ficar mais charmoso.

Ficou bom, né Tommy?

Há um fenômeno curioso sobre o coquetel, que deixei de mencionar antes. Ele possui um homônimo que leva Sloe Gin e bitters de laranja. O que faz bastante sentido para o nome, já que o fruto da árvore blackthorn (em português abrunheiro) é utilizado na produção de sloe gin. Porém, para evitar confusão, muitos se referem ao Blackthorn de whiskey como Irish Blackthorn(e), enquanto o coquetel de gim é referido como English Blackthorn.

A receita do Blackthorne possui ainda uma série de variações. Como, por exemplo, a do Difford’s Guide, que muda as proporções da receita de Regan, emprega bitters Boker’s e dois vermutes diferentes – um seco e um tinto. O que, na opinião deste canídeo, é uma ideia excelente. Essa alteração traz ao coquetel mais frescor, e o coloca mais alguns passos longe do Manhattan, contribuindo para que tenha uma identidade própria. O Bartender Paulo Cesar Corghis, que me apresentou o coquetel, inclusive, utiliza apenas vermute seco.

Assim, caros leitores, abram seus caderninhos mentais em uma página em branco, para não esquecer jamais. Este é o Blackthorne, primo irlandês do Manhattan, salvo da desmemória para tornar as coisas um pouco melhores. Quer dizer, ao menos aquelas que merecem ser resgatadas.

BLACKTHORNE

INGREDIENTES

  • 2 doses de Irish Whiskey (no Brasil, o único que temos é o Jameson. Pode ir sem medo, funciona muito bem).
  • 1 dose de Vermute tinto (ou 1/2 dose de vermute tinto e 1/2 dose de vermute seco. Vide nota na parte do preparo)
  • 3 dashes de Angostura Bitters
  • Licor de Absinto para untar a taça.
  • Toda parafernália que você já conhece (mixing glass, bailarina, taça coupé ou de martini, gelo. Claro, gelo)

PREPARO

  1. Unte a taça de martini com o licor de absinto. Tome cuidado para não exagerar. O absinto poderá facilmente sobrepujar alguns dos aromas do coquetel. Descarte o excesso (ou beba, eu já fiz isso, eu sei que você também quer fazer).
  2. Adicione, em um mixing glass, gelo, o Irish Whiskey, o vermute* e a angostura. Mexa até resfriar e desça na taça, coando o gelo.
  3. Pronto. Beba assistindo a um bom filme. E não, bebê-lo ao ver The Room não melhora a experiência.

* Se você achar que o coquetel está muito puxado para o vermute, ou muito doce, tente substituir metade da dose por um vermute branco seco, como Noilly Prat. Isso fará com que o Irish Whiskey se sobressaia um pouco mais, e adicionará uma nota herbal bem interessante ao Blackthorne. Há uma variação, inclusive, que utiliza apenas vermute seco, da Cocktail Larousse.

The Botanist Gin – Spinoff

Quando eu era adolescente, eu via bastante televisão. Aliás, talvez a única coisa que eu fazia mais do que ver TV fosse comer. Mesmo porque dava para comer vendo TV. Assumo que o hábito de passar horas na frente da tela com um pacote de bolacha recheada e um balde de coca-cola normal do meu lado não era nada saudável. E provavelmente não ajudou muito na construção de relações interpessoais durante meus anos áureos. Mas, por outro lado, fomentou meu interesse por cinema e, indiretamente, literatura.

Uma das séries que mais gostava de assistir era Friends. Friends certamente não era um expoente da alta cultura, mas foi uma febre durante minha adolescência. A série durou dez temporadas – uma expectativa de vida quase impensável para qualquer show televisivo de hoje em dia – e terminou bem onde deveria. Na transição da pós-adolescência para a vida adulta, onde a comédia, a esperança e o sonho perdem território para, bem, deixa pra lá. Mas Friends possui uma mancha em sua alva reputação. Um spin-off, lançado pouco tempo depois, e entitulado singelamente de Joey.

O que foge à minha lógica é como alguém poderia achar aquela uma boa ideia. Acompanhar Joey Tribbiani em sua jornada para tentar se tornar um ator consagrado. Quero dizer, como disse a Rolling Stone uma vez, seria melhor acompanhar a Phoebe em seu Central Perk. Ou a Rachel e o Ross em sua vida de casados, criando seus filhos. Afinal, a vida em casal com filhos proporciona muitas oportunidades tragicômicas. E, como era de se esperar, a série fracassou.

Já sei, e se a gente fizesse a mesma série, só que dez anos depois?
Este é o grande problema de spin-offs. O grande sucesso de algo não garante que seu derivado seja amado. É um risco que se corre. Aliás, eu diria que um risco até maior, porque envolve a reputação também de algo que já tem sua boa-fama consolidada. Mas foi justamente isso que a Bruichladdich, uma das mais conhecidas, respeitadas e inovadoras destilarias de whisky da Escócia fez, ao lançar um gim. O Botanist. Só que, ao contrário de Friends e Joey, o Spin-off deu certo.

A destilação do Botanist acontece em um incomum alambique – que fora recuperado da destilaria Inverleven – e conhecido como Lomond, e carinhosamente apelidado pelos funcionários da destilaria de “Ugly Bett” (Bete, a Feia). O apelido, que se refere à pouco atrativa aparência do equipamento não poderia ser mais preciso. O alambique é bem feio. Tão feio que o escritor escocês Tom Morton o descreveu em seu livro “Spirit of Adventure” como “uma lixeira gigante, de ponta cabeça, feita de cobre“.

Apesar de estarem bem lá embaixo na escala estética de equipamentos pesados, os Lomond são muito eficientes. Eles foram projetados por um senhor chamado Alastair Cunningham em 1955, como uma espécie de híbrido entre um destilador de coluna e um alambique de cobre. Seu pescoço possui placas de cobre, que podem ser retiradas ou adicionadas, para simular um pescoço mais curto ou mais longo de um alambique tradicional. E a seção superior poderia ser facilmente alterada, imitando diferentes inclinações de braço do destilador. Isso permite produzir diferentes perfis de destilado utilizando somente um alambique.

Bete

O Botanist leva 31 botânicos diferentes, sendo 22 deles nativos da ilha de Islay. São eles – e não vou me arriscar a traduzi-los para não passar ridículo: angelica root, apple mint, birch leaves, bog myrtle leaves, cassia bark, chamomile, cinnamon bark, coriander seed, creeping thistle flowers, elder flowers, gorse flowers, heather flowers, hawthorn flowers, juniper berries, lardy’s bedstraw flowers, lemon balm, lemon peel, liquorice root, meadow sweet, orange peel, oris root, peppermint leaves, mugwort leaves, red clover flowers,tansy, thyme leaves, water mint leaves, white clover, wood sage leaves.

A Bruichladdich é uma das destilarias mais inventivas de toda Escócia. Talvez por isso se auto intitulem “Progressive Hebridean Distillers” –algo como “Destiladores Progressistas das Hébridas”. Isso fica claro ao observarmos seu enorme portfólio. Além do Botanist, a destilaria produz três linhas de whisky. Uma é razoavelmente defumada; outra, sem nenhuma defumação e uma terceira absurdamente defumada – Octomore.

O Botanist é um gim seco, com aroma e sabor herbal bastante pronunciados. Apesar da miríade de botânicos, a impressão deste Cão é que se sobressaem os aromas refrescantes de menta e cítricos. Aliás, é aí é que está seu frágil equilíbrio – a força do zimbro é contrastada pelo aroma herbal da menta e laranja, que – em conjunto com os demais botânicos – lhe proporcionam uma complexidade incrível.

Se você gosta de gins encorpados, complexos e com personalidade, ou se apenas está curiosíssimo para saber como é um gim produzido por uma destilaria de whisky, experimente o Botanist. Este sim, é um spin-off que merce muita audiência.

THE BOTANIST ISLAY DRY GIN

Tipo – Dry Gin

ABV – 46%

Região: Islay

País: Escócia

NOTAS DE PROVA

Aroma: zimbro, limão siciliano, laranja lima. Há um aroma floral bastante intenso.

Sabor: Menta, cítrico, com limão siciliano. Final médio, com alcaçuz e bastante floral.

Chivas Masters – Semifinalistas

Gosta de coquetelaria? E whisky? Então conheça o Chivas Masters. Chivas Masters é uma competiçao global, que pela primeira vez terá participação brasileira. Ela celebra bartenders que demonstram conhecimento e criatividade, e compartilham dos valores como comunidade, colaboração e generosidade. Pode parecer nonsense, mas não é. O trabalho da Chivas Regal é realmente bastante focado nestes valores. Basta lembrar de outros projetos, como o The Venture – uma competição de startups com projetos de cunho social e sustentável.

A ideia do campeonato é reforçar estes valores, tidos como pilares da marca. Nas palavras de Marina Rufino, embaixadora da Chivas Regal no Brasil “Nós buscamos dar reconhecimento aos bartenders por meio de algumas iniciativas como oferecer a oportunidade de construírem suas redes de contato em níveis local e global, participando de workshops ministrados pelos melhores profissionais da indústria; integrando a Comunidade Internacional Chivas de bartenders, além de aprimorar técnicas e habilidades”

Para o Chivas Masters, o bartender deverá criar um coquetel, que leva, no mínimo 30ml de Chivas Regal. No Brasil, o rótulo exclusivo escolhido para a competição é o Chivas Extra – um dos mais novos da marca, e que usa boa proporção de whiskies maturados em barricas de de carvalho europeu de ex-jerez. É o mesmo rótulo escolhido para uma competição que este Cão teve o enorme prazer de ser jurado – o Juntos & Extraordinários, que aconteceu no ano passado.

Terra & Alma de Nicola Bara, que participa do concurso.

Porém, ao contrário daquela competição – que envolvia apenas as cidades de São Paulo e Recife – o Chivas Masters envolve participantes de todas as regiões do Brasil. “Sabemos que São Paulo e Recife são grandes mercados para o consumo de whisky, porém, é importante valorizar outros bartenders talentosos em demais regiões do país onde a coquetelaria está se desenvolvendo” explica Marina.

A temática é também semelhante àquela do Juntos. Porém, há alguns pontos de distinção. A ideia é que o coquetel seja inspirado na comunidade em que o bartender está inserido. Assim, nada de recorrer a Albert Einstein, Alexander Fleming ou Colin Scott. A ideia aqui é mostrar como laços pessoais auxiliam as pessoas a atingir seus objetivos. Vale quase qualquer pessoa do círculo pessoal do bartender. Seu melhor amigo, a esposa, um chefe generoso, um cliente bêbado que acabou virando seu confidente ou até mesmo seu cachorro – desde que o cachorro tenha tido algum papel relevante em sua carreira atrás dos balcões.

Na semana passada este Cão teve o enorme prazer de visitar – na companhia de jornalistas e de Marina Rufino – três casas cujos bartenders foram selecionados para a semifinal do campeonato. O Subastor, com Nicola Bara; Frank com Alex Sepulchro (cujo coquetel Amereno ilustra este post) e o Seen, com Lucas Jaques. Todos os coquetéis, excelentes, e com sabores que realçavam – e não mascaravam – as características do Extra, como caramelo, café e chocolate.

Lucas Jaques preparando seu Little Extra.

Para escolher o nome de quem carimba o passaporte e parte para a final global, a marca promoverá uma final local, com 5 participantes, no dia 11 de junho, em São Paulo. Até lá, os drinks serão servidos nos bares destes finalistas. Assim, se você ainda não provou nenhum dos coquetéis da competição, corra. Os finalistas brasileiros são Alex Sepulchro, Nicola Bara, Eduardo Amorim, Dilton Sales e Bento Mattos das respectivas casas Frank Bar e Subastor (capital paulista); Butchery (Goiânia); Borsoi Café Clube (Recife) e Cokelitas (Fortaleza).

Jameson Bartender’s Ball 2018

Nunca imaginei que ficaria ansioso por uma segunda-feira. Afinal, segundas costumam ser dias meio chatos. Acordar cedo, academia, trabalho, rotina. Mas aconteceu. É que este Cão foi convidado para acompanhar a final brasileira do já conhecido concurso de coquetelaria Jameson Bartender’s Ball, que aconteceu justamente nesta-segunda feira, dia 14, no Z Carniceria em São Paulo.

Como você provavelmente sabe, Bartender’s Ball é uma competição internacional de bartenders, em que cada um deve criar um coquetel próprio, utilizando Jameson. De acordo com Flávia Molina, diretora de Marketing da Pernod-Ricard Brasil (proprietários da destilaria Midleton, que produz Jameson) “O Bartender’s Ball vem sendo um sucesso ano após ano, justamente pelo fato de que o whiskey Jameson é reconhecido pelos profissionais por sua suavidade. E nada melhor do que ser suave para incrementar e incentivar novas receitas criativas e deliciosas, típicas da coquetelaria.” No ano passado, o vencedor foi Renan Tarantino com seu Sabiá.

Neste ano, além da tradicional competição, foram servidos aos espectadores três coquetéis. Um deles, uma espécie de Whiskey Mule, criação de Lula Mascella, do bar Picco. Os outros dois, elaborados por Rafael Mariachi, mixologista da Pernod Ricard. Destaque para uma incrível releitura do Old Fashioned, preparado com Jameson e batizado de Boardwalk Empire.

Boardwalk Empire

De volta à competição. Em 2018, o concurso contou com 5 semifinalistas. Thibault Cuny (Presidente da Pernod Ricard Brasil) e os mixologistas Laércio Zulu e Renan Tarantino escolheram Jairo Gama (The Sailor), Lucia Caparroz (Flor de Sal) e Sthephanie Marinkovic (Espaço 13) como os 3 finalistas.

Jurados

Após algumas horas de espera dramática e suspense – alimentado pelo embaixador da Jameson no Brasil, Lucca Campolina – a vencedora foi anunciada.  Stephanie Marinkovic, do Espaço 13, com seu coquetel “Latino America”. Com a vitória, Stephanie representará o Brasil na final global do Bartender’s Ball, que acontece na Irlanda. A vitória de Stephanie é imporatníssima. Ela é a primeira mulher a receber o prêmio em nosso país.

Este Cão deseja a Stephanie sorte na etapa global, e que sua viagem à terra do irish whiskey seja coroada por segundas-feiras tão boas quanto aquela da competição.

Stephanie e seu Latino America

 

Cinco cervejas para um apaixonado por whisky

Billy Carter, irmão do ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, disse uma vez que não há algo como uma cerveja ruim. Algumas são apenas melhores do que outras. Já o poeta Henry Lawson escreveu que a cerveja faz você se sentir do jeito que você deveria sentir sem cerveja. Já Homer Simpson, o pensador animado norte-americano, indagou se whisky conta como cerveja.

Bem, devo dizer que as duas primeiras declarações funcionam perfeitamente também para whisky. E em resposta ao questionamento de Homer, devo dizer, com pesar, que sim. Whisky conta como cerveja. E mais, whisky não apenas conta, como é cerveja. Cerveja destilada. Quer dizer, ao menos a maioria deles. Se você não sabia disso, leia aqui.

Isso me leva a uma reflexão. Talvez eu não goste de whisky. Talvez eu goste mesmo é de cerveja. Todos os tipos de cerveja, inclusive aquelas que são destiladas. Provavelmente é por isso que, ainda que o tema deste blog seja whisky há frequentes incursões no mundo do fermentado de grãos.

Pensando nisso, resolvi preparar uma lista com cinco cervejas para aqueles apaixonados por whisky. E não foi uma tarefa fácil.  Para cada uma que incluía, me lembrava de mais uma dezena que mereciam, igualmente, figurar na lista. Ficava imaginando a revolta de meus leitores cervejeiros, ao não encontrarem sua cerveja maturada preferida em meu humilde exercício. Assim, tive que recorrer a um critério bem subjetivo. Meu gosto pessoal. Desculpe-me, internet, pela parcialidade. Mas vamos a elas.

Founder’s KBS

A KBS é quase mitológica. Você provavelmente já ouviu falar dela. Mas se não ouviu, eu explico. É uma Imperial Breakfast Stout (uma cerveja escura, de alta graduação alcoólica e que usa aveia em sua composição), produzida com café e chocolate. Ela é maturada em barricas de carvalho americano que contiveram whiskey americano – reza a lenda, Jack Daniel’s – por um ano inteiro, antes de ser engarrafada.

A KBS recebeu uma pletora de prêmios internacionais, e figura como uma das cervejas mais bem avaliadas pelos usuários do aplicativo Untappd. É uma cerveja licorosa, com sabor que remete à baunilha e o mel do whiskey, mas bastante densa, com – que surpresa – notas de café, chocolate e certo apimentado de aveia. Tudo sobre a KBS é incrível. Até mesmo o nome, que é quase um convite para tomá-la de café da manhã. Nada como um desjejum nutritivo, não é mesmo?

Harviestoun Ola Dubh e Orach Slie

A Ola Dubh é uma Imperial Porter – outra cerveja escura de alta graduação alcoólica – produzida pela cervejaria escocesa Harviestoun, e maturada em barricas de single malt Highland Park. Há uma série de rótulos, sendo que cada um indica ma idade diferente. Essa é a idade do whisky que esteve na barrica antes da cerveja. Quer dizer, uma Ola Dubh 18 não passou dezoito anos em barril, mas foi maturada por um período bem menor que este, em uma barrica que antes foi usada para produzir o Highland Park 18 anos.

Ainda que haja pequenas diferenças sensoriais entre os rótulos, as Ola Dubh costumam ser pouco carbonatadas, secas e pouco adocicadas para uma imperial stout. Os sabores predominantes são de madeira e café. Incrivelmente, apesar do uso de barricas encharcadas de um whisky levemente enfumaçado, o sabor de turfa é quase imperceptível.

Já a Orach Slie é uma cerveja clara, com a mesma proposta da Ola Dubh. Entretanto, o single malt utilizado é Glenfarclas. A Orach Slie é adocicada, e possui uma incrível nota de madeira e anis, proveniente de sua maturação. Ao contrário de sua irmã escura, há apenas um rótulo de Orach Slie, e nenhuma indicação da idade do single malt utilizado em sua confecção.

Orach Slie e Ola Dubh são importadas pela Beermaniacs

Brooklyn Brewery Improved Old Fashioned

A Brooklyn Improved Old Fashioned é a versão cervejeira do Old Fashioned, clássico coquetel de whiskey. É uma cerveja de centeio, que matura em barricas de rye whiskey e leva tintura de especiarias. Ela faz parte de um projeto da Brooklyn Brewery e Garrett Olivier, seu brewmaster, de criar cervejas com perfil de sabor semelhantes àqueles dos melhores coquetéis do mundo. A primeira edição prestigiou o já prestigiadíssimo Manhattan. A segunda, denominada The Concotion, foi uma releitura cervejeira do Penicillin, e teve o auxílio de seu criador, Sam Ross, para ser desenvolvida.

Para recriar o sabor do coquetel, ao invés de recorrer a alguma essência industrialmente produzida, Garrett usou como ponto de partida uma rye ale – ou seja, uma cerveja produzida com centeio – de forma a enfatizar o sabor picante proporcionado por aquele grão. Depois, deixou que a cerveja descansasse em barricas previamente utilizadas para maturar o Whiskey WhistlePig Rye. Esse estágio trouxe à bebida os sabores de fumaça e madeira. Por fim, foi desenvolvida uma tintura especial que emulasse os bitters e botânicos do Old Fashioned. Pode ser comprada na loja física do Empório Alto dos Pinheiros.

Struise Cuvee Delphine

A Cuvée Delphine foi criada pela Struise bieren/Struise beers (Cervejaria Struise) utilizando sua Black Albert Imperial Stout, e maturando-a por doze meses em barricas que antes foram usadas para maturar o bourbon Four Roses. Sensorialmente, lembra bastante a Ola Dubh, mas há um dulçor mais pronunciado e mais carbonatação. Melhor que a cerveja, apenas a história por trás de seu nome.

O rótulo, onde se lé “Truth Can Set You Free” (“A Verdade Poderá Te Libertar”) é uma obra de arte de Delphine Boël, artista plástica belga e – alegadamente – filha não reconhecida do Rei Albert II. Até hoje Delphine luta na justiça para que seja reconhecida como legítima descendente do rei. Caso vocês não tenham notado a sutileza da piada, a Cuvée Delphine é uma Black ALBERT maturada. Ou seja, uma descende da outra.

Dadiva Odonata 2016

A Odonata 2016 é outra Russian Imperial Stout para a lista. Ela leva três ingredientes mágicos: frutas vermelhas, baunilha e café. A mistura maturou em barris de carvalho americano de reuso por aproximadamente cinco meses e descansou por quase um ano em barris de inox, para finalmente ser blendada e engarrafada. A mistura rendeu mil garrafas.

De acordo com Luiza Tolosa, sócia da Dádiva, a criação foi quase uma serendipidade. Um dia, resolveram que misturariam um pouco de cada uma das odonatas da primeira edição (cada uma delas levava um dos aditivos descritos acima) para experimentar. E o resultado foi tão surpreendentemente bom, que decidiram lançar uma série limitada de garrafas com o blend. A cerveja uniu o cítrico e ácido das frutas vermelhas com o dulçor da baunilha e o torrado do café.

Mafiosa Crooner – Beer Drops

Vocês conhecem o Frank Sinatra. Frank era um cantor inigualável, um excelente ator e um ébrio como poucos. Por conta de sua paixão por qualquer coisa etílica, Frank já foi bastante mencionado por aqui. Mas tudo isso você já sabe sobre ele. O que talvez você não saiba é que Frank tinha um laço bem próximo com a máfia. Durante sua carreira, Sinatra se tornou amigo de gangsters como Lucky Luciano e Bugsy Seagal, e se envolveu com quase todas as famílias da Cosa Nostra, como Gambino, Moretti e Genovese.

E se você assistiu O Poderoso Chefão (Se não assistiu, por favor, termine de ler este post depois e veja) talvez tenha lhe ocorrido que o personagem Johnny Fontaine foi inspirado no cantor. O paralelo é bem claro. A cena em que Luca Brasi ameaça um líder de banda para livrar Johnny é baseada em um conhecido episódio, onde um gangster de New Jersey ameaçou Tommy Dorsey – famoso trombonista – para rescindir um contrato que envolvia Sinatra.

Com base nessas histórias – algumas reais e outras fictícias – a Mafiosa Cervejaria lançou sua nova cerveja. A Crooner. A Crooner é uma American Strong Ale (ABV 9% / IBU 70) que traz sabores presentes em bons bourbons e whiskeys – bebidas tão apreciadas pelo ícone Frank Sinatra – como o caramelo, a baunilha, o coco e a madeira. Este Cão provou o lançamento, e ficou surpreso. Mesmo sem qualquer passagem por madeira, há notas que remontam barricas de carvalho americano de ex-bourbon.

O perfil aromático da cerveja, destaque na produção deste lote, é proveniente da adição de Baunilha e Candy Sugar e pela adição de lúpulo HBC 472, uma variedade experimental única, criada a partir de espécie selvagem americana.

Mas a história fica ainda melhor. 800 litros da Crooner foram separados e colocados em barricas de carvalho americano, para maturar. Eles servirão de base para o primeiro rótulo envelhecido em barril da cervejaria, que não tem data para lançamento ainda.

A mafiosa recomenda que a cerveja seja consumida em copo snifter, e harmonizada com carnes assadas, grelhadas, cordeiro, queijos maturados e – óbvio – charutos. Este Cão concorda, mas vá além. Experimente com uma pequena dose do seu bourbon preferido ao lado. Será uma experiência incrível. E acredite, depois dela, você estará mais leve e cantando melhor ainda que Frank Sinatra.

MAFIOSA CROONER

Cervejaria: Mafiosa

País: Brasil

Estilo: American Strong Ale

ABV: 9%

Notas de Prova:

Aroma: Açúcar mascavo, baunilha.

Sabor: Corpo e carbonatação média. Sabor de caramelo, açúcar mascavo, baunilha. O final é longo e vai se tornando cada vez mais floral, com baunilha. Podia jurar que senti alcaçuz.

Jack Daniel’s 150th Anniversary Edition

Se você assistiu ao filme Magnólia, talvez esteja familiarizado com o Premio Darwin. Mas se não estiver, eu explico. O Prêmio Darwin é uma espécie de Oscar póstumo, que premia indivíduos que conseguiram, graças à total ausência de inteligência, se remover da cadeia hereditária humana de uma forma espetacularmente idiota. Ou seja, se mataram de jeitos estúpidos.

Como, por exemplo, o americano que, inconformado com o barulho que sua caminhonete fazia, resolveu que tentaria descobrir de onde vinha o ruído olhando embaixo do automóvel. Enquanto ele estava em movimento. A sessenta quilômetros por hora. Ou o adolescente do Texas que  praticou roleta russa usando uma pistola semiautomática. Ou o nosso próprio representante deste proeminente prêmio, o padre do balão, cuja fama prescinde explicações. Tanto é que foi cunhada em sua homenagem uma nova expressão “tão doido quanto o padre do balão“.

Quase um filme dos irmãos Coen (fonte: Folha)

O que muita gente não sabe é que há um personagem muito famoso que poderia, muito bem, ter recebido um prêmio desses. É o Sr. Jasper Newton “Jack” Daniel, o ilustre criador do whiskey americano mais consumido no mundo. Segundo registros históricos, Jasper possuía um cofre em seu gabinete. Certo dia, frustado por não lembrar a combinação, deu um chute no móvel. Sua unha quebrou, o dedo infeccionou, gangrenou e o genial cavalheiro acabou morrendo de septicemia aos 61 anos de idade.

Apesar da igualmente trágica e prosaica morte, o legado de Jasper continuou e a Jack Daniel’s se tornou a mais conhecida marca de whiskey americano no mundo. Atualmente pertencente à gigante Brown-Forman, a destilaria comemorou em 2016 seu 150° aniversário. E para marcar a data, lançou uma edição especial de seu whiskey, o Jack Daniel’s 150th Anniversary.

Aqui há uma curiosidade. Apesar da Jack Daniel’s comemorar seus cento e cinquenta, sua operação não foi contínua. Em 1909 o Tennessee se tornou um estado seco (adotou uma Lei Seca), e a destilaria foi apenas reaberta em dezembro de 1933. Porém, apesar deste hiato de vinte e quatro anos, a Jack Daniel’s permanece por um século e meio funcionando no mesmo lugar em que foi fundada.

O Jack Daniel’s 150th Anniversary é produzido de uma forma bem semelhante ao seu irmão Jack Daniel’s Old No. 7. Sua mashbill é a mesma, composta 80% de milho, 12% de cevada e 8% de centeio. A filtragem em carvão de bordo – o conhecido Lincoln County Process – também é igual. Porém, o Jack Daniel’s 150th Anniversary possui graduação alcoólica mais alta, de 50%. Além disso, segundo a Jack Daniel’s, o whiskey passa por um processo de maturação sensivelmente diferente.

O destilado é colocado em barricas de carvalho americano virgens lentamente tostadas – seja lá o que isso significar – especialmente desenvolvidas para essa expressão. A maturação acontece em um dos mais antigos armazéns da destilaria. Nas palavras da Jack Daniel’s “após serem enchidos, o barris são colocados no andar superior (o “angel’s roost”) de um dos mais antigos armazéns da destilaria, onde o whiskey foi maturado por gerações em uma elevação e exposição ao sol que cria o clima perfeito para uma das melhores interações entre whiskey e barril“.

Angel’s Roost

O resultado é um whiskey adocicado, com caramelo e baunilha bem mais acentuadas do que na versão standard. A graduação alcoólica também ajuda, adicionando uma bem-vinda pungência e um final bem apimentado, mas sem muita agressividade. É um whiskey bem acabado, e que inegavelmente carrega o material genético da Jack Daniel’s.

No Brasil, uma garrafa do Jack Daniel’s 150th Anniversary sai por, em média, R$ 500,00. Isso o torna o primeiro ou segundo whiskey americano mais caro à venda em nossas terras, junto com o – também edição limitada – Jack Daniel’s Sinatra Select. Comparado a ele, o Jack Daniel’s 150th Anniversary é mais alcoólico e picante, mas, na opinião deste Cão, também mais interessante.

Pode até ser que Jasper Newton “Jack” Daniel tenha falecido de uma forma inesperadamente estúpida. Mas sua destilaria, ao contrário, parece disposta e saudável após um século e meio, para sobreviver por muito mais tempo. Um brinde a estes e aos próximos cento e cinquenta anos da Jack Daniel’s.

JACK DANIEL’S 150TH ANNIVERSARY

Tipo – Tennessee Whiskey

ABV – 50%

Região: N/A

País: Estados Unidos

Notas de prova

Aroma: adocicado, caramelo, açúcar mascavo, baunilha.

Sabor: adocicado, frutas em calda, baunilha, mel, especiarias. Final longo, com baunilha, pimenta e especiarias.

Com água: a água torna o final mais adocicado e curto.

Preço: Aproximadamente R$ 520,00 (aqui)

Degustação de Bruichladdich – Cateto Pinheiros & O Cão Engarrafado

Prezados, interrompemos a programação normal deste blog para um anúncio. Mas um anúncio relacionado a whisky. Aliás, um belo whisky.

Na próxima segunda-feira, dia 07/05, este Cão promoverá uma degustação de Bruichladdich, harmonizada com um incrível charuto cubano Sancho Panza no Cateto Pinheiros, tradicional bar de São Paulo.

Serão provados os dois whiskies da destilaria disponíveis em nosso país, e importados pela Interfood Importação : Laddie Classic e Port Charlotte Scottish Barley. Haverá também um coquetel especial, criado para o dia, que levará Bruichladdich, pelas mãos da bartender Neila Pamplona.

Se você não fuma, não se preocupe. Há duas opções de pacotes, com e sem charuto:

FULL TICKET (20 vagas apenas):
1 dose do single malt Bruichladdich Laddie
1 dose do single malt Bruichladdich Port Charlotte
+ cocktail a base de laddie
+ Charuto Sancho Panza belicosos
VALOR R$: 175,00

ONLY DRINK TICKET:
1 dose do single malt Bruichladdich Laddie
1 dose do single malt Bruichladdich Port Charlotte
+ cocktail a base de laddie
VALOR R$: 115,00

O valor pode ser pago no ato, em cartão de crédito.  Para reservar, basta enviar um e-mail para eduardo.cateto.bar@gmail.com e informar o pacote que deseja. Mais detalhes aqui.

 

Drops – Cachaça Sebastiana Single Barrel

 

Se você é como este Cão, provavelmente tem uma bebida preferida. No meu caso, whisky, é claro. Mas como você já deve ter percebido pelos posts deste blog, whisky não é a única paixão etílica deste ébrio canino. Cervejas também. E gins. E vermutes. E claro, cachaça. Ainda mais quando a produção da cachaça é inspirada naquela dos melhores whiskies do mundo, como é o caso das cachaças Sebastiana.

A proximidade entre a Sebastiana e o whisky é declarada. Ela fica bem clara na descrição que acompanha uma de suas expressões, batizada de Duas Barricas “A associação dos conhecimentos adquiridos na Escócia (terra dos Single Malts) e do Kentucky (terra do Bourbon nos Estados Unidos), foram base para a criação desta bebida de sabor inigualável no mercado.”

As cachaças da Sebastiana já receberam tantos prêmios internacionais quanto alguns dos melhores whiskies. Nas orgulhosas palavras da própria marca “Em 2014, a Sebastiana Castanheira foi medalha de ouro no San Francisco World Spirits Competition e no New York World Wine & Spirits Competition, enquanto que a Sebastiana Carvalho recebeu medalha de prata no New York World Spirits e Wine & Spirits Competition e medalha de bronze no International Spirits Challenge de Londres.

As cachaças são produzidas no Alambique Santa Rufina, localizado em Ibaté, no interior de São Paulo. As expressões são: Cristal (sem maturação), Castanheira (maturada em barricas de castanheira), e Duas barricas (um verdadeiro Doublewood brasileiro – maturada por 18 meses em barril de Castanheira brasileira e mais 18 em barril de Carvalho americano – absolutamente genial).

Duas Barricas

Mas a mais próxima do mundo do whisky é a Single Barrel. No melhor estilo small-batch whiskey, ela é uma cachaça maturada em barricas virgens de carvalho, e engarrafada a partir de um único barril. Algo frequentemente feito na indústria do whiskey americano, como é o caso do Jack Daniel’s Single Barrel e do Four Roses Single Barrel. O resultado é uma cachaça com aroma e sabor de madeira, frutas tropicais, baunilha e especiarias.

Se você ficou curioso, pode experimentá-la em bares como o Empório Sagarana – especializado em cachaças –  em São Paulo – ou comprar uma garrafa online neste link da Single Malt Brasil. E vá por mim, experimente. Depois, você desejará que muitos whiskeys tivessem sido inspirados em cachaças como ela.

SEBASTIANA SINGLE BARREL

Tipo: Cachaça

ABV: 40%

Alambique: Santa Rufina

Notas de prova:

Aroma: delicado, com frutas tropicais, baunilha e especiarias.

Sabor: Encorpado  e frutado, com canela, cravo e mel.

Preço: R$ 70,00 (aqui)